A ex-funcionária da Polícia Judiciária do Porto suspeita de ter desviado peças de ouro apreendidas, que estavam à guarda daquela autoridade, foi condenada a quatro anos de pena suspensa. 

Já o ex-marido foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão efetiva, uma vez que o Tribunal de São João Novo considerou que "todo o plano foi congeminado por ele".

Os arguidos ficaram ainda sentenciados a pagar a quantia de 180 mil euros ao Estado, pelos bens em ouro de que se apropriaram.

Na leitura da decisão judicial, o presidente do coletivo de juízes vincou que os crimes cometidos foram “graves”, sobretudo pela instituição em causa.

A ex-funcionária da força policial, que tinha acesso ao cofre transitório geral da PJ onde eram depositados metais preciosos, situado na cave do edifício, valeu-se desse facto e apropriou-se, com a ajuda do agora ex-companheiro, de objetos em ouro, nomeadamente de duas barras de ouro com 5.526,796 gramas no valor de 178 mil euros.

Os crimes ocorreram entre 14 de outubro de 2014 e 07 de abril de 2015.

Além disso, a arguida, de 49 anos, acedeu sem autorização ao sistema informático da PJ e obteve informações sobre um processo em investigação para passar a uma advogada.

No início do julgamento, a mulher confessou os factos, mostrando-se arrependida, dizendo que furtou o ouro “iludida” pelo ex-companheiro que lhe disse que ninguém iria desconfiar dela e por causa da doença de um dos seus filhos.

Por seu lado, o arguido negou que algum dia tivesse sugerido que ela roubasse ouro, contando que ela é que lhe telefonava para ele ir às imediações da PJ para lhe entregar envelopes com ouro e que nunca desconfiou porque ela lhe dizia que eram peças de processos arquivados.

E, como pensava que eram para o lixo, foi vendê-las a uma loja de ouro sem receios, acrescentou.