O Infarmed anunciou, esta quinta-feira, estar a negociar com a indústria farmacêutica um preço adequado para o novo medicamento contra a Hepatite C que permita a sustentabilidade do sistema de saúde e o acesso generalizado dos doentes.

«O Infarmed assegura que não há falta de tratamento para a Hepatite C em Portugal. Em todas as situações em que o doente corra risco de vida, e enquanto se aguarda decisão final sobre os pedidos de comparticipação, está assegurado aos doentes o acesso aos medicamentos pelos hospitais do SNS (Serviço Nacional de Saúde), através de autorizações excecionais», refere em comunicado a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

A falta de aprovação do Infarmed de um novo medicamento para o tratamento da Hepatite C, contendo a substância ativa sofosbuvir, tem provocado polémica, com doentes graves a dizerem hoje que se trata de um «genocídio de colarinho branco».

Também hoje, a Ordem dos Médicos disse que os profissionais estão a ser pressionados pelas administrações hospitalares para não fazerem pedidos de autorização especial para o novo medicamento.

Segundo o Infarmed, o que está a acontecer em Portugal é que a análise relativa ao valor terapêutico acrescentado e ao custo-efetividade está concluída, faltando para a sua aprovação final que a indústria farmacêutica «proponha um preço adequado que não ponha em risco a sustentabilidade do SNS [Serviço Nacional de Saúde]».

Nesse sentido, o Infarmed diz que «tem em curso um processo negocial, aguardando, neste momento, proposta de um preço adequado e comportável».

O Infarmed dá conta de uma notícia publicada no jornal francês Le Monde, segundo a qual no Egipto o medicamento é vendido a cerca de 700 euros por tratamento. Em Portugal, afirma, a primeira proposta de preço foi de 48 mil euros por tratamento, pelo que com mais de metade dos doentes a necessitarem do dobro do tempo de terapêutica, tal representaria 96 mil euros por tratamento.

O Infarmed termina a nota de imprensa a referir que este tema estará na agenda do próximo conselho EPSCO (Conselho de Emprego, Política Social, Saúde e Consumidores), a 19 e 20 de junho no Luxemburgo, sendo esperado que saia daí uma «posição conjunta dos países europeus sobre esta questão».