Os dirigentes dos sindicatos de professores FNE e FENPROF contestaram, esta quinta-feira, a proposta do presidente da câmara do Porto, Rui Moreira, que quarta-feira defendeu que a colocação de professores devia ser uma competência «marcadamente metropolitana».

Em declarações à Lusa, Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional de Professores (FENPROF), e João Dias da Silva, dirigente da Federação Nacional de Educação (FNE), consideraram que a colocação dos professores deve ser uma responsabilidade do Estado.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, defendeu quarta-feira, no debate «Olhares Cruzados sobre Portugal», realizado na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que a «colocação de professores devia ser uma competência marcadamente metropolitana».

«Estamos a falar de emprego público em escolas públicas e não estamos a falar das quintarolas dos senhores presidentes de câmara ou seja de quem for. As experiências que nós temos são todas negativas, porque à medida que as colocações de professores se aproximam do âmbito local, os problemas crescem sempre. Este ano, por exemplo, as colocações que foram feitas no quadro nacional realizaram-se a tempo e horas, as colocações de âmbito local, nomeadamente as contratações de escola, foram feitas já as aulas tinham começado», afirmou Mário Nogueira.

O dirigente da FENPROF entende que «quanto mais local for a colocação maior é a sujeição das pessoas. Eles não estão a pensar na qualidade, na celeridade, na objetividade dos critérios e na discricionariedade. Estão a pensar é na sujeição, porque quanto mais próxima estiver do docente a entidade que lhe dá emprego, maior obediência lhe é devida, porque maior sujeição e maior pressão é exercida sobre a pessoa».

Também o dirigente da FNE, João Dias da Silva, manifestou a sua «completa discordância» em relação à proposta de Rui Moreira. «Continuamos a achar que a colocação dos professores deve ser feita a nível central e com base numa lista graduada nacional. Cremos que desta forma se salvaguardam melhor os direitos dos professores. Deve continuar a competir ao ministério da Educação fazer a colocação dos professores, através de um concurso nacional que preenche aquilo que são as necessidades permanentes de funcionamento do sistema educativo», sublinhou.

João Dias da Silva entende que «o que diz respeito a professor do quadro deve ser preenchido através de um concurso nacional baseada numa lista graduada nacional de professores e que, depois, em relação às necessidades transitórias são as escolas que devem poder tomar decisões. E aqui também não entram, na nossa perspetiva, os municípios nem as autoridades municipais».