A Polícia Judiciária de Setúbal anunciou esta terça-feira a detenção de dois homens e a constituição de mais seis arguidos suspeitos de obtenção fraudulenta de financiamentos que causaram sete milhões de euros de prejuízos a diversas instituições de crédito.

Segundo um comunicado divulgado pela PJ, a detenção dos dois arguidos, de 45 e 68 anos, no âmbito de uma operação com o nome de código "Operação Pharma", foi efetuada na sequência de 15 buscas, no âmbito de um inquérito do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

Os dois detidos e os outros seis arguidos estão indiciados por crimes de associação criminosa, burla qualificada, fraude fiscal qualificada e branqueamento, que terão sido praticados de forma reiterada desde 2009.

De acordo com a PJ, para além dos sete milhões de euros de prejuízos que provocaram a instituições de crédito, os suspeitos terão tentado a obtenção de outros financiamentos fraudulentos, no valor de 60 milhões de euros.

Os arguidos, acrescenta a PJ de Setúbal, atuavam sob a capa de uma aparente atividade farmacêutica empresarial, celebrando «contratos de mútuo e de "factoring"», que eram garantidos ou suportados em documentação falsa de natureza contabilística e financeira, incluindo documentação forjada de outras instituições de crédito e sociedades financeiras.

Para dificultar a perseguição da atividade criminosa por parte das autoridades policiais, os suspeitos diversificavam os locais de atuação e os alvos, criando empresas de fachada e usurpando a identidade de outras, em Portugal e no estrangeiro.

A PJ refere ainda que os oito arguidos, que usavam «testas de ferro a troco de míseras contrapartidas económicas», foram presentes, segunda-feira, a primeiro interrogatório judicial, tendo-lhes sido aplicada a medida de coação de Termo de Identidade e Residência.