Trata-se do “último livro de poemas inéditos” de Herberto Helder, que a sua editora afirma ter sido terminado "pouco antes" da morte do poeta, ocorrida no passado dia 23 de março, quando contava 84 anos.

"Desde nascer a morrer que não entendo nada", lê-se num dos poemas, no qual o autor se questiona: "que interessa fazer a barba/ se é tudo para cremar/ desde as unhas dos pés aos espelhos soberanos - Leonardo, Camões, Newton, Amadeus Mozart/ et coetera/ que interessa?"


"Escrever poemas não é boa maneira de atordoar os tempos do verbo", diz. "Poemas que chegam do meio da escuridão de que ficamos incertos se têm autor ou não", "poemas às vezes perto da nossa própria razão".