A Universidade do Algarve (UALg) tem funcionários a passar dificuldades e presume-se que até fome, denunciou, esta terça-feira, o próximo reitor daquela academia, assumindo que pretende criar um fundo e instrumentos de apoio para momentos de aflição.

«Já temos funcionários com níveis de pobreza. Já temos funcionários que, provavelmente, ultrapassaram o limiar da pobreza (¿). Estou preocupado com aqueles que já não trazem marmita e já temos, provavelmente, casos desses na instituição», declarou à Lusa António Branco, presumindo que haja funcionários a passar fome, porque recebem 500 e 600 euros por mês.

Um dos desejos do próximo reitor, que toma posse do cargo na próxima quarta-feira, o dia do 34.º aniversário da UAlg, é encontrar, em conjunto com a instituição, fundos ou instrumentos semelhantes, que possam discretamente apoiar funcionários que estejam em grande aflição neste momento.

«Gostaria de ter um fundo, ou instrumentos de apoio ¿ há muitas maneiras de apoiar as pessoas, não é só o dinheiro ¿ gostaria que nós estivéssemos muito atentos a isso, nos serviços, nas unidades orgânicas (¿), identificarmos, discretamente, casos em que nos pareça evidente que alguma coisa de anómala está a acontecer e tentar encontrar instrumentos de apoio a essas situações. Mesmo que não sejam financeiros», assumiu.

A UALg tem cerca de mil pessoas a trabalhar na instituição, designadamente cerca de 600 docentes e perto de 400 funcionários não docentes.

Em entrevista à Lusa, no âmbito da tomada de posse, o próximo reitor da UALg assume que «não tem medo de nada» quando se lhe pergunta se teme ficar cada ano letivo que passa com menos alunos, pois segundo o último relatório de contas, este ano letivo entraram na instituição menos cerca de 400 estudantes.

«Eu não tenho medo de nada. Não tenho mesmo. Acho que o medo é uma coisa que bloqueia, que nos retira a capacidade de criar, é uma coisa que nos retira a energia, tira-nos a força e, portanto eu não tenho medo. Eu estou aqui para trabalhar», assevera, estimando que, no próximo ano letivo, a UALg vai ter condições para aumentar ligeiramente o número de estudantes.

Questionado pela Lusa sobre se está incomodado ou aborrecido com os cortes anunciados para o ensino superior em Portugal, no próximo Orçamento do Estado, António Branco diz que a situação já nem sequer se pode classificar de «dramática» e diz que, o que se tem vivido, ultrapassou «tudo o que é razoável, tudo o que um académico imaginou» e que «já não há zonas de desperdício». «Já estamos a trabalhar no osso», resumiu.

Natural de Angola e doutorado em Literatura Portuguesa Medieval pela UAlg, em 1999, o próximo reitor, que leciona na UALg há 22 anos, foi eleito com «maioria absoluta» a 27 de novembro e vai tomar posse do novo cargo esta quarta-feira.

O início da cerimónia de tomada de posse está marcada para as 16:30, no átrio do Grande Auditório do Campus das Gambelas e, pelas 17:00, depois do Cortejo Académico, discursa o reitor cessante, João Guerreiro, o presidente do Conselho Geral, Luís Magalhães, e, em terceiro lugar, o novo reitor, António Branco, ex-diretor da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais.

António Branco vai suceder a João Guerreiro, reitor cessante, e ficará incumbido, entre outras competências, de aprovar a criação, suspensão e extinção de cursos, atribuir apoios aos estudantes no quadro da ação social escolar, aprovar a concessão de títulos ou distinções honoríficas e instituir prémios escolares.