ACTUALIZADA ÀS 21h00

O nacionalista Mário Machado está detido nas instalações da Direcção Central de Combate ao Banditismo da PJ, disse à Lusa o seu advogado, José Manuel Castro, acrescentando que, até ao momento, não sabe os motivos da detenção.

Entretanto, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) revelou que o nacionalista foi detido no âmbito de uma investigação em curso naquela estrutura do Ministério Público, não adiantando o que está em causa.

Mário Machado, membro da organização considerada de extrema-direita Hammerskins, foi detido «em casa, por volta da uma hora da tarde, e também terá sido apreendida uma viatura e um computador», disse o advogado.

José Manuel Castro afirmou que a Polícia Judiciária disse que «o chamará» ainda esta quarta-feira, a hora ainda por determinar, para falar com o seu cliente, que será presente quinta-feira ao juiz de instrução no Tribunal de Instrução Criminal.

«Não sei os fundamentos da prisão e estranho o comportamento da polícia, que não permitiu o contacto entre o advogado e o detido. Neste momento, ele está sem assistência. Veremos se é uma medida provisória, se é uma questão de horas, porque, se não, se se prolongar, será motivo para nulidade da detenção», disse ainda.

A notícia, avançada pelo Sol, colheu também de surpresa o líder do Partido Nacional Renovador, ao qual Machado pertence, com José Pinto Coelho a declarar à Lusa a «coincidência espantosa» de a detenção ocorrer dias depois de ter divulgado num fórum da Internet documentos em que eram citados membros da família do primeiro-ministro, José Sócrates.

Mário Machado deveria comparecer em tribunal no próximo dia 5 de Maio para responder num processo em que é acusado de ameaças à procuradora do Ministério Público Cândida Vilar, em que está acusado de coacção agravada, difamação agravada e incitação à prática de crime.

Cândida Vilar conduziu a investigação que levou Mário Machado - julgado com outros 35 «skinheads» - a responder num processo relacionado com discriminação racial e em que foi condenado em Outubro passado a quatro anos e dez meses de prisão efectiva, decisão de que recorreu.