Vitor Carreto, que era advogado do inspetor da PJ Ricardo Macedo e do GNR José Silva na Operação Aquiles, contestou a decisão que o tornou arguido no processo e pediu à Ordem dos Advogados para se defender a si próprio.

Em comunicado enviado à agência Lusa, Vitor Carreto, advogado desde 1980, diz que "nunca colaborou com suspeitos de nacionalidade colombiana" e que o único caso em que interveio como defensor de um cidadão colombiano foi num recurso no Tribunal de Almeirim, em que era arguido Maurício Romero Ramirez, preso no Estabeleecimento Prisional do Linhó (Sintra), o que terá ocorrido em 2008.

Vítor Carreto salienta que "não tem arguidos de nacionalidade colombiana desde o caso de Almeirim" e não esconde que nos anos 2004-2010 defendeu Franclim Pereira Lobo em dois processos ligado ao narcotráfico no antigo Tribunal da Boa Hora, tendo recebido honorários que "declarou fiscalmente".

O advogado, constituído arguido na quinta-feira, no início do interrogatório judicial da Operação Aquiles, pelo facto de "prestar informações a associação criminosa, colaborando com suspeitos de nacionalidade colombiana", adiantou à Lusa que vai pedir autorização e parecer à Ordem dos Advogados para se defender a si próprio neste processo.

Vitor Carreto alega ainda que "nunca incorreu em atos ilícitos no relacionamento" com o agora arguido Ricardo Jorge Macedo, revelando que foi mandatário deste num caso em que o inspetor da PJ é assistente num processo-crime (transitado em julgado este ano) por homicídio do filho Gustavo Macedo, falecido em 07 de fevereiro de 2012, ao ser colhido por uma autocarro com adeptos polacos que tinham assistido ao jogo Sporting-Lecchia.

Quanto ao relacionamento com Franclim Lobo, assegura que há cerca de um ano que não o vê pessoalmente, embora há cerca de 3 ou 4 anos tenha recebido um telefonema deste a perguntar por uma clinica oftalmológica em Barcelona, pois a mulher de Fraclim Lobo, de nacionalidade marroquina, tinha um problema de visão.

Na altura - adianta Vítor Carreto -, indicou-lhe uma clinica, tendo o telefonema sido efetuado para o seu telemóvel, que "possui há cerca de 20 anos".

Na exposição dos factos, Vítor Carreto revela que também é portador de problemas de visão desde junho de 2012, pelo que, entre 2012 e 2015, foi forçado a reduzir a atividade profissional em consequência disso, tendo em 2014 cancelado a sua inscrição no acesso ao direito (defesas oficiosas).

O advogado diz que teve escritório em Lisboa entre 1980 e 1995, tendo-se mudado para Torres Vedras, onde se reformou com 60 anos e 36 de advocacia em fevereiro.

Entre os vários detidos na Operação Aquiles estão dois elementos da própria Polícia Judiciária, o coordenador reformado da PJ Carlos Dias Santos e o inspetor-chefe da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) Ricardo Macedo, assim como o cabo da GNR do destacamento de Torres Vedras José Manuel Baltazar Silva.

Carlos Dias Santos esteve 38 anos na PJ e pertenceu à Direcção Central de Investigação de Tráfico de Estupefacientes (DCITE) e à Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB).O inspetor-chefe Ricardo Macedo, outro dos detidos, trabalhava na UNCTE.

O processo envolve, segundo as autoridades judiciárias, suspeitas de corrupção ativa e passiva, tráfico de droga agravado, associação criminosa e branqueamento de capitais.

A investigação está a cargo da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, em colaboração com a Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefaciente, num inquérito dirigido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal.