A Polícia Judiciária deteve na zona de Lisboa um homem alvo de um mandado internacional por suspeita de ligação a uma poderosa organização de narcotráfico italiana ligada à máfia calabresa "Ndrangheta", disse à Lusa fonte policial.

A fonte da PJ adiantou que o suspeito, de 34 anos, detido na quarta-feira, na zona de Lisboa, tem dupla nacionalidade, brasileira/portuguesa, e que no âmbito de uma operação de grande envergadura de combate ao tráfico de droga internacional desenvolvida em Itália foram detidas mais sete pessoas e apreendidos cerca de quatro milhões de euros.

O detido foi ouvido hoje no Tribunal da Relação de Lisboa, que decretou a sua prisão preventiva enquanto aguarda o processo de extradição para Itália.

A operação internacional decorreu em simultâneo noutros países, como Espanha, sublinhando a fonte da Polícia Judiciária (PJ) a importância da cooperação e coordenação entre as várias polícias envolvidas.

Através dessa cooperação, e no cumprimento de um mandado de detenção internacional, a PJ conseguiu localizar na zona de Lisboa o suspeito e coordenar a sua detenção com as autoridades italianas para que as operações decorressem em simultâneo, para evitar alertas e fugas de informação.

Entretanto, a polícia financeira italiana também anunciou a apreensão de cerca de quatro milhões de euros em dinheiro, encontrados enterrados no jardim da vivenda do líder da rede internacional de traficantes de droga, perto de Turim (noroeste).

As autoridades emitiram 15 mandados de captura e detiveram sete pessoas em Itália e a PJ um em Portugal. Sete outros suspeitos, incluindo três brasileiros, continuam a ser procurados.

Estas pessoas são suspeitas de pertencer a uma organização internacional de traficantes de droga, que importava cocaína da América do Sul para a máfia calabresa, a "Ndrangheta".

De acordo com a polícia italiana, trata-se de "uma das maiores organizações de narcotráfico presentes em Itália, com uma base operacional na província de Turim e importantes ramificações" noutras regiões italianas.

O dinheiro enterrado era "o tesouro" da organização criminosa. Além do dinheiro, a polícia encontrou vários relógios valiosos, incluindo 26 'Rolex', joias e outros objetos preciosos.

Durante o inquérito, que se prolongou por meses, 415 quilogramas de cocaína, no valor de cerca de 35 milhões de euros, foram apreendidos em três operações diferentes no porto espanhol de Valença (nordeste).

Bens imobiliários, contas correntes, sociedades e automóveis no valor total de oito milhões de euros foram apresados.