A Polícia Judiciária deteve um guarda prisional do Estabelecimento de Coimbra suspeito de tráfico de estupefacientes e posse de arma proibida, e identificou ainda um outro elemento dos Serviços Prisionais, informou hoje a Diretoria do Centro.

O guarda do Estabelecimento Prisional de Coimbra "foi interpelado na posse de cerca de 100 doses de haxixe e dez de ‘cannabis’, bem como de diversos objetos relacionados com o tráfico e consumo de estupefacientes, que foram apreendidos", lê-se no comunicado da PJ enviado à agência Lusa.

No decorrer das diligências, foram ainda constituídos como arguidos outros dois homens, um deles "elemento dos Serviços Prisionais" e também indiciado pela prática do crime de tráfico de droga, refere a PJ, não identificando a identidade do terceiro arguido.

A Diretoria do Centro informa que foi ainda apreendido "diverso equipamento informático, 2.560 euros em numerário, bem como duas armas proibidas".

O guarda detido tem 51 anos e será presente às autoridades judiciárias para primeiro interrogatório e aplicação de medidas de coação.

A detenção ocorreu na sequência de uma investigação da PJ iniciada em 2014, que tinha como objetivo "combater a introdução de produtos estupefacientes no interior do Estabelecimento Prisional, e foi realizada em colaboração com o Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra e do Estabelecimento Prisional.

A Lusa tentou obter mais esclarecimentos junto da PJ, mas esta estrutura policial remeteu a informação para o comunicado.

No Estabelecimento Prisional de Coimbra foram detidas várias pessoas pela PJ ao longo dos últimos anos a tentar introduzir droga naquela cadeia.

A 13 de novembro de 2014, uma telefonista daquele estabelecimento acusada de tráfico foi condenada a 11 anos de prisão, num processo que envolveu 12 arguidos, nove dos quais reclusos.

Também nesse ano, uma cozinheira da cadeia foi proibida de exercer funções devido a fortes suspeitas de introduzir substâncias ilícitas na instituição.

Suspeitos de tráfico afastados do serviço

Entretanto a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais disse à agência Lusa que foi instaurado um processo disciplinar aos dois guardas da cadeia de Coimbra suspeitos de tráfico de droga, que “estarão afastados do serviço”.

A informação consta de uma resposta da direção-geral (DGRSP) à Lusa, na sequência da detenção de um guarda prisional e da identificação de um chefe de guardas prisionais do Estabelecimento Prisional de Coimbra, indiciados pela prática do crime de tráfico de droga.

É ainda referido que a detenção hoje anunciada pela Polícia Judiciária de Coimbra surgiu "na sequência de [um] processo iniciado" pela Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

A agência Lusa também confirmou junto de duas fontes ligadas aos serviços prisionais, que solicitaram o anonimato, que um segundo elemento é um chefe de guardas prisionais.