A Polícia Judiciária deteve, pela segunda vez, um homem de 29 anos, reformado, pela presumível prática reiterada dos crimes de burla qualificada e de usurpação de funções, cometidos em diferentes locais do país.

Em comunicado, o Departamento de Investigação Criminal de Leiria da PJ refere que no âmbito deste inquérito a companheira do homem, “sem ocupação laboral, foi também detida por comparticipação na atividade delituosa”.

Na sequência de detenção que ocorreu em maio por factos análogos, o suspeito foi sujeito a medida de coação de apresentações diárias em posto policial que, entretanto, deixou de acatar.

“Apesar disso, acolitado pela companheira, continuou a utilizar um estratagema que consistia na seleção e abordagem de centenas de potenciais vítimas através de contactos telefónicos e pela Internet, convencendo-as de que teriam incumprido obrigações legais, para a seguir as constranger ao depósito de quantias significativas, em contas bancárias que estavam sob o seu domínio, obtendo consequente enriquecimento ilegítimo”


Para o efeito, o arguido “continuou a invocar a falsa qualidade de funcionário”, nomeadamente da PJ, da GNR, da Autoridade Tributária e da Segurança Social.

Presentes ao juiz de instrução criminal, foi determinado que o homem aguardasse julgamento em prisão preventiva, enquanto a sua companheira, de 25 anos, está obrigada a apresentações diárias em posto policial.

Em maio, a PJ de Leiria deu conta da detenção do homem, explicando que ao longo do último semestre aquele arrogou expressamente a qualidade de funcionário, mormente da PJ, e das autoridades Tributária, Segurança Alimentar e Económica e para as Condições do Trabalho e mesmo de magistrado judicial, “para a obtenção de enriquecimento ilegítimo por meio de engano que incutiu em dezenas de vítimas”, cita a Lusa.

Em comunicado emitido a 7 de maio, a PJ referiu que os crimes ocorreram “em diferentes regiões, de norte a sul do país, consistindo num elaborado plano que contemplava a prévia seleção de vítimas mais vulneráveis, seguindo-se contacto telefónico para as convencer de que tinham incorrido na prática de atos ilícitos ou no incumprimento de obrigações de diferente natureza”.

“Alegando dever de pagamento imediato de coimas ou multas, o detido compelia as vítimas a procederem ao depósito de quantias de montante variável em contas bancárias tituladas por pessoas da sua confiança, de modo a dissimular as suas ações e retirar posteriormente os proventos resultantes das mesmas”


Fonte da Judiciária disse na ocasião à Lusa que “já foram identificadas mais de três dezenas de vítimas”, lesadas, globalmente, “em milhares de euros”, sendo de Leiria o maior número, mas também da Guarda, Viseu, Aveiro ou Lagos, destacando-se comerciantes.

Hoje, a mesma fonte adiantou que o arguido, residente no concelho da Batalha, abordou desde maio “centenas de potenciais vítimas”, havendo “participações de mais uma dezena de casos”.

“Agora escolheu outro tipo de vítimas, essencialmente particulares. Inicialmente o método usado era exclusivamente o telefone, mas de maio para cá os contactos também eram feitos pela Internet”, afirmou.