A Polícia Judiciária (PJ) anunciou esta a detenção de seis colaboradores de empresas nacionais de telecomunicações, suspeitos de venderem dados pessoais dos clientes a empresas concorrentes, através de duas redes criminosas sediadas na Grande Lisboa e no Algarve.

Não obstante a proteção empresarial exercida sobre tais dados pessoais, os autores acediam aos sistemas informáticos corporativos das empresas onde eram trabalhadores, copiavam a informação pessoal de valor comercial para estabelecimento de perfis de utilização, vendendo-os, seguidamente, a terceiros, concorrentes na área de mercado em causa”, informa a PJ, em comunicado.

Fonte da PJ explicou à agência Lusa que, por exemplo, a venda de uma lista de “200, 300 ou 400 nomes” de clientes de uma destas empresas a colaboradores de outra empresa concorrente neste mercado, poderia custar “1.000 ou 1.500 euros”, valor que era variável.

No decorrer da operação denominada de “Signal”, foram apreendidos os meios informáticos e as listagens que davam suporte à alegada atividade criminosa em curso.

Os detidos, três homens e três mulheres, com idades entre 32 e 60 anos, estão fortemente indiciados da prática continuada de crimes de acesso indevido, violação do dever de sigilo e corrupção passiva no setor privado.

Segundo a mesma fonte da PJ, uma das informações que constava da lista de dados pessoais dos clientes era o tempo de fidelização.

Assim que o período de fidelização terminava, estes clientes eram depois contactados por colaboradores de empresas portuguesas concorrentes, nomeadamente através do contacto porta-a-porta, para mudarem de operador.

No comunicado, a PJ relata que os detidos se dedicavam “à recolha ilícita e comercialização de dados pessoais armazenados em bases de dados de empresas portuguesas com avultada expressão numérica de clientes”.

Esta força de investigação acrescenta que as duas redes criminosas, que atuavam a partir das zonas da Grande Lisboa e do Algarve, “foram desarticuladas”.

A PJ adianta no comunicado que prossegue as investigações para deteção e identificação deste ‘modus operandi’ e, também, para determinar a extensão deste tipo de criminalidade a nível nacional.

Os seis detidos vão ser hoje presentes a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Loures.