O Departamento de Investigação Criminal de Leiria da Polícia Judiciária (PJ) anunciou esta qaurta-feira a detenção de um homem, de 64 anos, que era procurado pelas autoridades italianas para cumprir prisão perpétua.

Segundo um comunicado da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da PJ, o indivíduo foi condenado em definitivo pela justiça italiana na terça-feira, 20 de junho. Um dia depois foi detido em Fátima, cumprindo-se um mandado de detenção europeu.

O homem foi condenado pela coautoria na ativação de um engenho explosivo na via pública, em Brescia, Itália, que resultou na morte de 8 pessoas e 99 feridos.

O detido será presente às autoridades no Tribunal da Relação de Évora, para interrogatório judicial e eventual aplicação de medidas de coação, para posterior entrega às autoridades italianas.

Maio de 1974

A imprensa italiana recorda que Maurizio Tramonte, agora detido em Fátima e condenado na véspera pelo Supremo Tribunal, foi um dos autores de um atentado ocorrido a 28 de maio de 1974, juntamente com o neofascista Carlo Maria Maggi, da organização Nova Ordem.

A sentença final sobre o atentado surgiu após 43 anos. Antes mesmo de ser conhecida, Tramonte, que o site ilfattoquotidiano reporta como tendo sido informador dos serviços secretos italianos, chegou a Fátima após atravessar de carro França e Espanha, com a justificação de pretender fazer um percurso espiritual, após ter estado no santuário francês de Lourdes, na Páscoa.

Tenho certeza que vou ter justiça, tal como os familiares das vítimas, porque vou ser absolvido e irão encontrar os verdadeiros culpados", foram as últimas palavras públicas de Tramonte sobre o atentado, no passado dia 28 de maio, quando se cumpriu mais um aniversário do massacre.

Considerado um devoto Mariano, o italiano estaria no santuário de Fátima quando foi capturado pela Polícia Judiciária.

De acordo com a imprensa italiana, durante as várias fases processuais, o italiano já se tinha ausentado várias vezes do seu país, acabando sempre por regressar.

Agora, as suspeitas de que pretendia fugir desta vez são maiores. O seu advogado confessou não ter conseguido falar com o condenado após a sentença final, que se mantinha inacessível com o telemóvel desligado.