Cinco das sete pessoas, incluindo um inspetor da PJ de Setúbal, envolvidas em crimes relacionados com o negócio do ouro, ficaram este sábado em prisão preventiva, revelou à Agência Lusa fonte policial.

Segundo a mesma fonte, o juiz de instrução criminal do Tribunal de Almada aplicou a prisão preventiva a dois empresários do ramo, à sócia de um desses empresários e à mulher de um outro, bem como ao inspetor da Polícia Judiciária (PJ) que foi detido esta semana por suspeitas de corrupção, por alegadamente passar informações aos empresários envolvidos no caso.

Os restantes dois arguidos deste caso - uma mulher e um homem - ficaram sujeitos à medida de coação de apresentações periódicas às autoridades.

Entretanto, durante o interrogatório no Tribunal de Almada, o procurador do Ministério Público emitiu um mandado de detenção para o familiar de um dos empresários, porque alegadamente terá tentado obter alguns valores que estavam num cofre, desconhecendo que os mesmos já tinham sido apreendidos pela PJ durante as buscas, constituindo elemento de prova no processo.

De acordo com a fonte, este oitavo elemento também já foi inquirido pelo juiz de instrução criminal tendo, como medida de coação, ficando sujeito a apresentações periódicas às autoridades.

Além das detenções efetuadas esta semana nos distritos de Lisboa e Setúbal, a PJ apreendeu 70 quilos em ouro e 170 em prata, e ainda cerca de um milhão de euros, várias dezenas de diamantes, cinco automóveis, uma embarcação e duas motos.

Na altura, em comunicado, a PJ referiu que os detidos, quatro homens e três mulheres, «estão indiciados pela prática de crimes de fraude fiscal qualificada, corrupção, recetação e branqueamento de capitais».

«A investigação, que decorre há mais de ano, permitiu a desarticulação deste grupo que se vem dedicando ao cometimento destes ilícitos graves e altamente lesivos da economia nacional», salientou a PJ, acrescentando que parte dos materiais apreendidos «será proveniente da prática de crimes contra o património, bem como de transações não declaradas e efetuadas por particulares».

Fonte policial precisou à Lusa que a investigação envolveu 60 investigadores, seis peritos informáticos da PJ e nove da Autoridade Tributária, e exigiu mais de 20 buscas, a domicílios, escritórios de contabilidade e a cofres privados de instituições bancárias.