O cão que atacou, em Beja, um menino, de 18 meses, que morreu, e foi provisoriamente entregue, por um tribunal, à Associação Animal, vai ser recuperado por uma especialista em animais agressores ou com problemas comportamentais.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da Animal, Rita Silva, disse que a associação vai buscar o cão ao canil, onde está "preso numa sela há sete meses", para o levar «para um hospital veterinário, em Lisboa, para fazer exames e ser tratado».

«Quando tiver alta, o cão vai ser encaminhado para uma especialista em recuperação de animais agressores ou com problemas comportamentais graves e que irá fazer a sua recuperação» com a supervisão da Animal, disse.

Segundo Rita Silva, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja decidiu que a Animal «pode ficar, provisoriamente, como fiel depositária do cão» até ser julgada a ação judicial principal relativa à providência cautelar interposta em janeiro pela associação para evitar o abate do cão e que irá decidir se o animal deverá ser ou não abatido.

À semelhança do que acontece com todos os animais recolhidos pela Animal, a associação vai mudar o nome do cão, de Zico para Mandela, «numa homenagem a Nelson Mandela, um homem que toda a vida lutou pela liberdade e nós [Animal] temos lutado muito pela liberdade deste cão», disse.

O menino foi atacado no passado dia 06 de janeiro, ao final do dia, em casa, em Beja, pelo cão, arraçado de pitbull, raça considerada potencialmente perigosa, que pertencia a um tio da criança que vivia na mesma casa com os pais e os avós da vítima.

Após o ataque, o menino, que ficou gravemente ferido, foi transportado para o Hospital de Beja, no qual lhe foi diagnosticado um traumatismo cranioencefálico grave, tendo depois sido transferido para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde morreu a 08 de janeiro.

Um dia após ter atacado o menino, o cão foi recolhido para o canil-gatil da Resialentejo, perto de Beja, onde, segundo a veterinária municipal, iria ficar até ser abatido, já que é «um cão perigoso», porque «atacou uma criança» e, por isso, «o fim é a eutanásia».

Ainda em janeiro, a Animal apresentou, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, uma providência cautelar para impedir o abate do cão, tendo conseguido «várias decisões provisórias» no sentido de que o animal não fosse abatido.

O cão passou a ser considerado prova e o Ministério Público (MP) determinou que o animal não poderia ser abatido e teria de ficar apreendido no canil enquanto fosse necessário no âmbito do inquérito aberto ao caso.

Em abril, o MP notificou a Animal e a Resialentejo de que o valor probatório do cão tinha sido levantado e informou que o destino do animal iria ser decidido pelos veterinários do canil, os quais, «com o aval da Direção Geral de Alimentação e Veterinária, decidiram que o cão deveria ser abatido, por questões de segurança pública», disse Rita Silva.

Após a notificação do MP, a Animal entregou, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, um requerimento, associado à providência interposta em janeiro, para tentar, «mais uma vez», impedir o abate e pedir para ficar fiel depositária do cão, tendo o tribunal confiado o animal à associação até decidir o destino do cão.