O ex-procurador-geral da República Pinto Monteiro considerou esta sexta-feira que as informações sobre a detenção de José Sócrates só eram conhecidas por «quem conhece a investigação» e que devem ser apuradas «as claras e demonstradas» violações do segredo de justiça.

Numa declaração enviada à agência Lusa, Pinto Monteiro entende que houve «claras e demonstradas violações do segredo de justiça e fugas de informação» e o que foi noticiado sobre o inquérito crime do ex-primeiro-ministro «só poderia ser sabido por aqueles que conhecem o segredo da investigação».

«Deve ser instaurado um completo inquérito para tentar apurar as claras e demonstradas violações do segredo de justiça e fugas de informação, já que foi noticiado aquilo que só poderia ser sabido por aqueles que conhecem o segredo da investigação», refere Pinto Monteiro, defendendo que as «conclusões e os próprios passos da investigação deverão ser divulgados para evitar especulações que atingem a honra e a dignidade das pessoas e das instituições».

O ex-primeiro-ministro está detido, em prisão preventiva, no Estabelecimento Prisional de Évora, indiciado de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.

Na missiva enviada à Lusa, Pinto Monteiro aborda também o almoço que teve com José Sócrates em Lisboa, na semana em que o ex-líder socialista, dizendo que o encontro foi do conhecimento público através de escutas e que a conversa versou «assuntos banais» e que «o ex-primeiro-ministro nunca, nem no almoço, nem em qualquer outra ocasião, mencionou a existência de qualquer processo».

Na segunda-feira, em entrevista à RTP, Pinto Monteiro já tinha afirmado que está a ser feito um «aproveitamento político de um caso jurídico», que «prejudica o PS», referindo-se à detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates, que está em prisão preventiva por indícios de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção.

Alegando que algumas notícias colocam em causa a sua honra e dignidade, o juiz jubilado garante que «desde que cessou o mandato de procurador-geral, nunca mais teve contactos com qualquer magistrado ou funcionário de organismos de investigação e acção penal e ignorava absolutamente que existisse qualquer processo contra José Sócrates».

Sobre o inquérito, a Procuradoria-Geral da República disse ir abrir para apurar a violação do segredo deste caso mediático, Pinto Monteiro diz ignorar «se também será investigada a conversa tida no almoço em questão».