O homem suspeito de dois homicídios qualificados, um na forma tentada, no Pinhão, concelho de Alijó, confessou esta quinta-feira os crimes durante a primeira sessão do julgamento, no Tribunal de Vila Real.

Manuel Monteiro começou esta quinta-feira a ser julgado, em Vila Real, pela morte de Joana Nogueira e a tentativa de assassinato de Marta Nogueira, sua companheira na altura, bem como pela posse de uma arma ilegal.

Os crimes ocorreram em abril do ano passado, dentro de uma pastelaria na vila do Pinhão, concelho de Alijó.

Ao coletivo de juízes, Manuel Monteiro confessou a autoria dos crimes, disse estar arrependido e referiu que, quando entrou no estabelecimento, não ia com intenção de matar.

O arguido mantinha um relacionamento com Marta, que quis acabar a relação, deixou de atender as suas chamadas e colocou as roupas do suspeito à porta da casa onde viviam no Pinhão.

Manuel Monteiro contou que, no dia 15 de abril, foi à pastelaria para falar com a jovem, que se recusou a falar consigo, e que depois a Joana, prima da companheira e que também trabalhava no estabelecimento, o insultou e ameaçou chamar a polícia.

E foi quando a jovem pegou no telefone que o arguido fez o primeiro disparo e, depois disso, alegou não se lembrar “de mais nada” até estar, dentro do carro, já do “outro lado do rio” e a caminho da Régua.

O Ministério Público (MP) acusa o arguido de “sacar de uma pistola de calibre 6,35 milímetros” e de ter atingido mortalmente Joana Nogueira “com um tiro no rosto”.

Depois, segundo o MP, “atingiu com “outros dois tiros a companheira, no rosto e pescoço, só não a matando por razões alheias à sua vontade mas provocando-lhe lesões muito graves”.

Marta Nogueira ficou com sequelas que a deixaram completamente dependente e está atualmente internada numa casa de recuperação, na zona da Maia.

Manuel Monteiro contou ainda que, depois dos factos, ligou a um amigo a quem disse: “já dei cabo da minha vida”, acrescentou que pensou em se matar mas acabou por se entregar, pouco depois, na esquadra da PSP de Vila Real.

Antes disso deitou a arma do crime ao rio Douro, junto à barragem de Bagúste.

Por sua vez, o pai de Marta Nogueira referiu que teve conhecimento “da tragédia” porque o arguido ainda ligou à sua mulher, mãe de Marta, a dizer que “tinha matado as duas”.

O julgamento prossegue a 31 de março.

Manuel Monteiro, natural de Baião, distrito do Porto, encontra-se em prisão preventiva.