O romance inédito escrito pelo general Humberto Delgado “Elsa – Romance de costumes políticos portugueses” é publicado em fevereiro do próximo ano, anunciou esta segunda-feira a editora Guerra e Paz.

O romance “chega às livrarias a 13 de fevereiro de 2017, no mesmo dia em que se completam 52 anos do assassinato pela PIDE [Polícia Internacional de Defesa do Estado] do seu autor, o general sem medo, Humberto Delgado”, afirma em comunicado a editora.

Segundo a mesma fonte, “trata-se de um romance inédito, de cariz marcadamente autobiográfico, escrito no exílio, há mais de 50 anos e, até agora, depositado no processo de Humberto Delgado no Arquivo Histórico da Força Aérea”.

O romance é constituído por “185 páginas datilografadas em papel A4 que, segundo o seu neto e biógrafo Frederico Delgado Rosa, terão sido escritas entre 1959 e 1963, período em que Humberto Delgado viveu exilado, no Rio de Janeiro, depois de ter sido candidato da oposição nas eleições presidenciais de 1958”.

A descoberta deste romance perdido de Humberto Delgado aconteceu durante os trabalhos preparatórios da exposição “General da liberdade e escritor”, promovida pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).

’Elsa’ narra a relação entre um militar, Armando Dias, e a protagonista, que dá o nome ao romance, uma jovem cinéfila e intelectualmente curiosa, apesar da sua origem humilde, filha ilegítima de uma criada”, adianta a editora.

“O romance mergulha os leitores num quadro de surda revolta social, de que as perseguições e as torturas da PIDE fazem parte integrante e sufocante”, acrescenta a mesma fonte.

A Guerra e Paz adianta o primeiro parágrafo do romance: “Já para a cozinha! Estúpida! Apontando a porta, insulta a jovem que ri, despreocupadamente, sentada no sofá. Ao increpá-la, tremem-lhe as adiposas curvas de matrona. De olhos parados, Elsa hesita em aceitar o vexame sem reação”.

Para o editor da Guerra e Paz, Manuel S. Fonseca, é “surpreendentemente um romance preocupado com a condição feminina e com o papel central da mulher”.

A editora foi escolhida num “conjugação” entre os herdeiros do militar e a SPA, segundo o mesmo comunicado.