Os serviços de saúde estão preparados para o pico da gripe, que ainda não ocorreu, mas que se adivinha em janeiro, garantiu a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, nesta terça-feira, em entrevista no Jornal das 8 da TVI.

 Janeiro será o mês mais crítico. Nem os cidadãos devem baixar a guarda, pois podemos fazer muito pela nossa saúde, nem os nossos serviços. E os nossos serviços estão preparados para acionar os planos de contingência e adequar-se à procura”, assegurou.

Neste momento, a gripe “está em atividade crescente”, com “mais casos” a cada semana, no entanto, a situação não é preocupante, pelo menos para já.

A gripe evolui para uma onda e essa onda pode ser muito abrupta e súbita ou mais plana. Uma onda plana dá tempo para que os serviços e as pessoas se preparem, não há ali um pico exuberante. Estão a circular dois vírus em Portugal e em muitos países da Europa, e esses dois vírus têm características diferentes. Um vírus do tipo A, que costuma dar curvas abruptas, muito intensas e de gripe muito grave, e um do tipo B, que é o contrário, com curvas mais suaves, menos intensas, menos casos por semana e menos graves. E é do equilíbrio entre estes dois vírus que nós estamos a ter, até agora, uma atividade gripal relativamente suave e relativamente moderada”, explicou.

“A natureza é que vai decidir se estes dois vírus se vão manter em equilíbrio ou se um deles vai ser dominante em relação ao outro e se o padrão da gripe se altera ou não”, acrescentou.

É por ter “características próprias e especiais” que a gripe que não deve ser encarada da mesma forma em todo o país.

A gripe não se espalha da mesma forma em todo o território, vai acontecendo com mais ou menos intensidade. Daí ser muito importante que os planos de contingência sejam aplicados também de acordo com as necessidades. Não faz sentido haver horário alargado em todo o país para todos os centros de saúde. Devem ser alargados ou não conforme as necessidades. É uma das características da gripe, não acontece de forma uniforme em todo o território, vai acontecendo.” 

As temperaturas podem descer até dez graus a partir de sexta-feira e, nesse sentido, as pessoas devem seguir as recomendações de saúde habituais, entre as quais se inclui a toma da vacina da gripe, indicou Graça Freitas.

Quem ainda não se vacinou que se vacine, é a primeira recomendação. Qualquer pessoa pode vacinar-se, sobretudo as doentes, as idosas... ainda há vacinas. Depois, cuidado com o frio. Manter o nosso corpo equilibrado do ponto de vista térmico é muito importante. Temos mecanismos de termoregulação para nos mantermos equilibrados e se a temperatura exterior for muito baixa ou muito alta obriga o nosso corpo a um esforço redobrado. Devemos depois manter um aquecimento em camadas, para podermos passar de um ambiente de frio para um ambiente quente, e proteger as extremidades, a cabeça, as mãos, os pés, usar cachecóis, luvas..."

E a explicação é simples, sublinhou a diretora-geral.

Quanto mais equilibrado estiver o nosso corpo mais resistimos a invasões de vírus, sejam eles da gripe ou outros. As recomendações gerais têm a ver com o conforto térmico, não só em termos de vestuário mas também de habitação ou do local de trabalho. A hidratação também é muito importante e no inverno também é altura de beber líquidos, podem ser líquidos quentes, como sopas, tisanas, infusões..."

Graça Freitas tem também uma recomendação importante para aqueles que recorrem "aos equipamentos de queima", "que consomem muito oxigénio". "Pode ser paradoxal mas não é: se usar uma lareira ou uma salamandra deve ter a casa ventilada. O balanço é sempre positivo entre o calor que se ganha e o calor que se perde."