Em entrevista à rádio Antena 1 e ao jornal Diário Económico, Pinto Monteiro notou que um político não pode ser beneficiado, nem prejudicado, mas admitiu que “se acelere um bocadinho a investigação, dada a importância que a pessoa pode ter no país”.

José Sócrates, ex-primeiro-ministro, está indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito num processo em que é o único arguido ainda em prisão preventiva.

Sobre a prisão preventiva, Pinto Monteiro comentou que “ninguém pode ser preso para ser investigado”, pelo que mais tarde se analisará quais os indícios existentes para essa tomada de decisão.

Por enquanto, o juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça “ignora em absoluto o que se passa com José Sócrates” e apenas comentará uma sentença transitada em julgado, mas não deixa de considerar um “escândalo” a violação do segredo de justiça nos jornais.

“A sentença que venha amanhã a condenar ou a absolver é uma coisa secundária porque a comunicação social esmagadoramente todos os dias lança cá para fora coisas”, disse o magistrado, assinalando que as informações “vêm de quem tem o processo”.

“Quem mexe no processo são juízes, procuradores, advogados, solicitadores, funcionários, o próprio cidadão. É um escândalo o que se está a passar”, argumentou.

Questionado sobre a possibilidade de surgir uma acusação ao ex-primeiro ministro durante a campanha eleitoral para as próximas eleições legislativas, Pinto Monteiro lembrou que a "lei impõe prazos, mas não impõe dias".

Para Pinto Monteiro, qualquer ação neste caso levará “sempre alguém a pensar que é um lóbi político” e a formalização da acusação levará “sempre a comentários, dada a importância do preso”, coo cita a Lusa.

“Ainda hoje se falarmos sobre a Casa Pia, que já lá vai, que deus tem, ainda há quem entenda que houve condenações erradas”, comparou o antigo PGR, que sublinhou ser “fundamental, que o ódio não se possa sobrepor à Justiça” nos casos que envolvem personalidades mediáticas.

José Sócrates foi detido a 21 de novembro de 2014, no aeroporto de Lisboa, encontrando-se em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora. Na sexta-feira foi anunciado pelo sue advogado um novo pedido de habeas corpus.