O Ministério Público abriu um inquérito relativo à violação de justiça no âmbito da Operação Lex, revelou esta sexta-feira a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal.

Em causa está o facto de jornalistas terem chegado primeiro do que as entidades judiciais ao local das buscas realizadas na terça-feira, designadamente à casa do juiz desembargador Rui Rangel, arguido no processo.

À margem do XI Congresso do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, que se iniciou hoje no Funchal, a procuradora-geral da República lamentou a violação do segredo de justiça no caso do juiz Rui Rangel, adiantando que "já foi aberto um inquérito".

Rui Rangel e Fátima Galante estão indiciados por crimes de corrupção/recebimento indevido de vantagens, de branqueamento, de tráfico de influência e de fraude fiscal.

A operação Lex, que tem até agora 13 arguidos, dos quais cinco estão detidos e aguardam a atribuição de medidas de coação.

Entre os arguidos estão o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, o vice-presidente do clube Fernando Tavares e o ex-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, João Rodrigues e três advogados.

Os interrogatórios judiciais dos cinco detidos começaram na quarta-feira ao início da noite no Supremo Tribunal de Justiça, onde o processo corre termos, dado que envolve dois juízes desembargadores, e é dirigido pelo juiz conselheiro Pires da Graça.

Na operação, desencadeada na terça-feira, foram realizadas 33 buscas, das quais 20 domiciliárias, nomeadamente ao Sport Lisboa e Benfica, à casa de Luís Filipe Vieira e dos dois juízes e a três escritórios de advogados.