A atual procuradora geral da República podia ter evitado a adoção ilegal das três crianças Vera, Luís e Fábio, um caso denunciado em “O Segredo dos Deuses”.

Em 1999, era responsável máxima pelo MP no Tribunal de Menores de Lisboa, quando dá início o processo de confiança judicial com vista à adoção dos três filhos de “Maria”, que lhe foram retirados e colocados pela Segurança Social no lar ilegal da IURD, com base em relatórios falsos.

Joana Marques Vidal chamou mesmo a si este processo de adoção, em 1999, porque foi “averiguar circunstâncias eventualmente menos claras para as quais havia sido alertada”, diz um comunicado da PGR.

“Foi localizada a intervenção da agora Procuradora-Geral da República num processo de confiança judicial respeitante a crianças que são mencionadas nas notícias sobre alegadas adoções ilegais."

Confrontada com perguntas da TVI, a atual PGR não esclarece quem a alertou nem quais foram os sinais de alerta que chamaram a sua atenção.

A Procuradoria apenas diz que não se confirmaram as suspeitas, mas não informa a TVI sobre as diligências que a PGR terá ou não feito.

"Da análise dos elementos constantes destes processos tutelares, onde por decisão judicial anterior as crianças tinham ficado ao cuidado de determinada pessoa, não resultaram quaisquer factos que confirmassem o alerta recebido."

O processo judicial acabou por ser decidido em 2001 e atribuiu a confiança judicial dos irmão à secretária do bispo Macedo, Maria Alice, que os levou para os Estados Unidos e acabou por distribui-los a dois bispos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), à margem da justiça portuguesa.

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Em 2003, já Joana Marques Vidal não estava no Tribunal de Menores, uma carta de Márcia Panceiro, mulher do bispo máximo da IURD em Portugal, denunciava este esquema ilegal e, mesmo assim, o juiz decretou a adoção definitiva dos três irmãos pela testa de ferro nesta adoção, Maria Alice Andrade.

O comunicado da PGR na íntegra:

Nota Para a Comunicação Social - Adoções by Catarina Pereira on Scribd