Os pescadores da Galiza contestam a proposta científica de limite de apanha de sardinha para 2016, cerca de 10% do atual, e consideram que se Madrid e Lisboa adotarem esses limites "mais vale que acabem com a pesca" nos dois países.

Espanha e Portugal acordaram que o limite conjunto de apanha de sardinha este ano seria de 19 mil toneladas. No entanto, a quota sugerida pelo Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (ICES) para 2016 é de 1.587 toneladas, menos de 10% do limite de 2015.

Os pescadores portugueses - que já chegaram ao seu limite para este ano - contestam precisamente esta proposta do ICES para 2016. Apesar de não ter um caráter obrigatório, o parecer do ICES é em geral adotado por Portugal e Espanha, uma vez que a consequência é a União Europeia passar a gerir o 'stock' de sardinha ibérica.

"Para ter este limite, mais vale os dois governos acabarem com as frotas de pesca de Espanha e Portugal", disse à agência Lusa Andrés García, porta-voz da Associação de Armadores de Cerca da Galiza.


O mesmo responsável disse que, ao contrário dos pescadores portugueses, os barcos de pesca galegos continuam a pescar sardinha, com um limite semanal de seis toneladas por embarcação. No entanto, sublinha que este limite semanal advém de dois motivos.

"Começamos a pescar apenas a partir de 01 de março, com um limite de 3.000 quilos por semana por barco. É graças a essa poupança que hoje podemos pescar aos níveis atuais", disse Andrés García. Por outro lado, sublinhou, apenas a Galiza está a pescar sardinha, já que o resto do litoral norte espanhol (especialmente a Cantábria) tem tido uma apanha muito reduzida.

Segundo o porta-voz da Acerga, os pescadores galegos - atualmente focados noutra espécie, a anchova - apenas vão pescar até novembro (parando depois até março para deixar regenerar os cardumes).



"Se pararmos até novembro será devido a outro limite que nos impusemos, o do consumo. Estabelecemos um teto de 600 toneladas de consumo de sardinha por mês na Galiza", indicou Andrés García, que admite alguma exportação, mas pouca, para Portugal.

Da parte espanhola das 19 mil toneladas de captura de sardinha acordadas com Portugal, o litoral norte de Espanha pode pescar cerca de 60%, deixando os restantes 40% para os pescadores do Golfo de Cádiz (Andaluzia, sul).

Pedro Maza, presidente da Federação Andaluza de Empresários de Pesca, também contesta o atual modelo científico em que se baseia os limites de pesca.

"O que pedimos é um estudo científico real sobre a situação da pesca da sardinha", disse o responsável andaluz, afirmando que os "níveis de regeneração da espécie" são superiores ao que pensam os técnicos.


Andrés García concorda: "Há estudos que dizem que a pesca é a menor das causas da diminuição da espécie, sobretudo quando comparada com outros fatores [naturais ou induzidos pelo homem]".