Dezoito pessoas morreram vítimas de acidentes/incidentes marítimos, a maior parte na pesca, nos primeiros oito meses do ano, de acordo com o primeiro relatório do Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Marítimos (GPIAM).

Segundo o relatório, a que a agência Lusa teve acesso, a maior parte das vítimas mortais (12) deram-se no setor da pesca profissional, seguindo-se quatro mortos na área de recreio/turismo e dois mortos na área da marinha mercante.

Ao todo o GPIAM contabilizou, entre janeiro e agosto, 149 casos, dos quais identificou 138 como acidentes marítimos, 15 deles muito graves, 74 graves e 40 pouco graves. A grande maioria ocorreu no mar territorial e em águas interiores e envolveu embarcações de bandeira nacional.

Do relatório conclui-se ainda que as áreas de recreio e turismo foram as que totalizaram um maior números de acidentes mas apenas três deles classificados como muito graves (perda total da embarcação, perda de vidas humanas ou danos graves para o ambiente). A maior parte dos casos foram registados como avarias.

A pesca profissional é o setor que regista mais acidentes graves e também o que mais preocupa o GPIAM, segundo as conclusões do relatório.

É «a área onde sentimos, por parte dos agentes envolvidos, uma maior dificuldade na compreensão da necessidade de mudança», dizem as conclusões, que acrescentam: «A falta de segurança é um problema que abrange quase todo o universo da pesca».

Por esse motivo, diz o mesmo documento, a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, e países como o Brasil ou a Austrália, estão a recomendar ou a impor regras na área da higiene, saúde e segurança a bordo das embarcações e navios de pesca.

Na área dos navios de comércio, «os marítimos são profissionais com boa formação» e «com uma longa tradição de exigência em termos de segurança», pelo que a maior parte dos acidentes são pouco irrelevantes, como colisões ligeiras em portos ou avarias mecânicas, dizem também as conclusões.

Maior preocupação suscita a área do turismo e recreio, nomeadamente por falta de informação quando ocorrem problemas em rios, barragens e albufeiras.

Ainda no relatório, o GPIAM defende um aumento da fiscalização na área da pesca e das atividades de recreio numa componente pedagógica, que leve a uma mudança de hábitos potenciadores de segurança no mar.

Portugal, acrescenta, devia também ratificar a convenção que fixa os níveis mínimos de formação, treino e certificação profissional para pessoal de embarcações de pesca com mais de 24 metros, e reformular cursos e programas de formação incrementando a parte da segurança.

O GPIAM tem por missão investigar os acidentes e incidentes marítimos e foi criado no ano passado, embora só no último mês de maio tenha preenchido o mapa de pessoal.