O vereador do Trânsito na Câmara de Sintra admitiu esta segunda-feira que a colocação de radares de velocidade no Itinerário Complementar (IC) 19 pode reduzir o número de acidentes via, considerada a mais perigosa no último relatório da sinistralidade rodoviária.

«A maioria dos acidentes que se dão no IC19 tem a ver com excesso de velocidade», disse à agência Lusa Luís Patrício (PSD), sublinhando que a estrada não é da competência municipal, mas adiantou estar previsto que «o concurso para a instalação de radares de velocidade em várias estradas inclua alguns 'pontos negros' do IC19».

A preocupação do vereador «era que alguns dos radares não fossem postos no IC19, mas vão ser», acrescentou Luís Patrício, considerando que o controlo da velocidade contribuirá para a redução do elevado número de acidentes na principal ligação rodoviária de Sintra a Lisboa.

Segundo o relatório da sinistralidade rodoviária em 2013, divulgado esta segunda-feira pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), o IC19 tem seis «pontos negros», três dos quais com o maior indicador de gravidade dos 58 troços analisados no país.

Os «pontos negros» consistem em lanços de estrada com uma extensão até 200 metros, com registo de pelo menos cinco acidentes com vítimas durante o ano.

O relatório da ANSR contabilizou que, em 2013, ocorreram 36 acidentes nos seis «pontos negros» do IC19, que provocaram três mortos, quatro feridos graves e 51 ligeiros.

O «ponto negro» mais grave situa-se junto à curva do palácio de Queluz, entre os quilómetros 4,6 e 4,8, onde se registaram seis acidentes com um morto, dois feridos graves e sete ligeiros.

O vereador do Trânsito e da Mobilidade Urbana na Câmara de Sintra defendeu, também, «maior visibilidade» da polícia no IC19, como forma de prevenir o excesso de velocidade nesta via rápida.

«A visibilidade policial poderá ter efeitos positivos, porque, mais do que os aspetos repressivos, pode servir para dissuadir os que não cumprem» o Código da Estrada, notou Luís Patrício.

O vereador admitiu que a menor utilização da Autoestrada 16, entre a CREL (Circular Regional Exterior de Lisboa) e a A5 (Alcabideche), de deve às portagens, mas recusou a viabilidade da suspensão do pagamento por se tratar de uma concessão em regime de parceria público-privada.

O relatório da ANSR «não é surpresa, porque o IC19 é a estrada mais saturada do país», comentou, por seu turno, Pedro Ventura, da Comissão para a Mobilidade Sustentável no Concelho de Sintra (CMSCS).

Segundo Pedro Ventura, também vereador pela CDU em Sintra, a CMSCS defende a suspensão das portagens na A16 e na CREL «como forma de aliviar o trânsito no IC19».

O membro da CMSCS ¿ que substituiu a antiga Comissão de Utentes do IC19 - criticou, entre os problemas por resolver, a deficiente iluminação, com «longos troços às escuras», e a falta de policiamento, «principalmente à noite, permitindo 'corridas' numa via de caraterísticas urbanas».

A adoção de uma política de transportes públicos e a limitação de velocidade em Queluz e no Cacém são outras medidas preconizadas por Pedro Ventura para reduzir a sinistralidade no IC19.