Por: tvi24 | 8- 2- 2012 17: 36
Um cidadão holandês, acusado de tráfico de droga, vai avançar com uma queixa à Comissão Europeia dos Direitos do Homem,
por se encontrar preso preventivamente desde Junho, sem ter sido notificado da acusação na sua língua, noticia a Lusa.
«Vamos
avançar uma queixa na Comissão Europeia dos Direitos do Homem por o meu cliente estar votado ao abandono pela justiça portuguesa,
à espera que traduzam para a sua língua [holândes] a acusação de que foi notificado em português, que ele não percebe», disse
à Lusa o advogado Machado Vilela.
A decisão do advogado surge depois de o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) ter indeferido
um pedido de habeas corpus [garantia constitucional em favor de quem sofre violência ou ameaça de constrangimento ilegal na
sua liberdade de locomoção] de Albertus Jan Versteeg, preso preventivamente, no estabelecimento prisional de Leiria, desde
Junho de 2011.
Albertus Jan Versteeg foi preso a 2 de Junho, quando a GNR interceptou uma embarcação de que é proprietário,
transportada por terra entre Portimão e Peniche, na qual foram encontrados, dissimulados no casco, 1300 quilos de haxixe.
Na
acusação, a que a Lusa teve acesso, o Ministério Público (MP) sustenta que o holandês faz parte de uma rede internacional
de tráfico que integra outros cidadãos estrangeiros, e que a embarcação, de nome «Laura», foi usada no transporte da droga
de Marrocos para Portugal.
Albertus Jan Versteeg foi notificado da acusação, deduzida em Dezembro de 2011, «numa
língua que desconhece [português] e obrigado assinar o despacho de notificação» o que, segundo o advogado, «viola o código
do processo penal».
Esse não foi, no entanto, o entendimento do Supremo Tribunal de Justiça que indeferiu o pedido
de habeas corpus considerando que o facto de o arguido não ter sido notificado em língua holandesa «não é fundamento suficiente»,
refere o acórdão.
Considerando que a decisão não se enquadra «nas regras de um estado de direito», Machado Vilela
questiona mesmo o presidente do STJ, sobre se «manteria o mesmo entendimento se fosse preso no Qatar [Médio Oriente] com uma
garrafa de vinho no porta luvas e fosse notificado da acusação em árabe, sem a perceber».
O advogado adiantou que
vai pedir que o arguido seja julgado por um Tribunal de Júri.
Programação - Semana de 26 de Maio a 1 de Junho
O Jardim das NotíciasAs crónicas diárias de Victor Moura-Pinto
CineboxOs filmes e as entrevistas exclusivas.
Portugal PortuguêsA voz aos autarcas e munícipes.