O Tribunal da Feira condenou esta sexta-feira a um ano e meio de prisão efetiva dois dos quatro suspeitos de roubos a ourivesarias e lojas de compra de ouro, sancionando com uma pena suspensa os outros dois arguidos.

Os arguidos, com idades entre os 26 e 33 anos, um dos quais encontra-se detido à ordem de outro processo, estavam acusados em coautoria de um crime de roubo agravado, quatro crimes de furto, dois dos quais na forma tentada, e um crime de falsificação, mas foram condenados apenas por um crime de furto.

Durante a leitura do acórdão, o juiz presidente, João Grilo, disse que foi apenas dado como provado o envolvimento dos arguidos no assalto a uma loja de compra de ouro, em S. João da Madeira, na madrugada de 5 de setembro de 2012, o único crime que os arguidos confessaram.

O principal crime dizia respeito a um assalto à mão armada a uma ourivesaria em Arrifana, Santa Maria da Feira, onde terá sido roubado mais de 200 mil euros, mas não foi dado como provado.

Este caso não tem nada a ver com os senhores", disse o juiz presidente, justificando que apesar de a viatura usada pelos assaltantes ser "muito parecida" com a dos arguidos, havia uma diferença nas jantes.

Num outro caso, uma testemunha terá visto os arguidos a "abanar" as portas de dois outros estabelecimentos, mas o juiz presidente referiu que não havia sinais físicos de estroncamento, pelo que se tratava de "um ato preparatório".

Quanto à lista encontrada na posse dos arguidos com nomes e moradas de lojas de compra de ouro, uma das quais tinha sido assaltada nos últimos dias, o coletivo de juízes entendeu que não era suficiente para dar como provada a participação dos arguidos nesse assalto.

Parece uma lista de compras. Dá que pensar. É um indício muito forte, mas era necessário algo mais para concluir que foram os senhores que fizeram o assalto", referiu o magistrado.

A pena mais gravosa foi aplicada aos arguidos mais velhos, que foram condenados a um ano e meio de prisão efetiva, por terem antecedentes criminais "mais graves".

Esta pena é para cumprir e não é para sair cá para fora e voltar a cometer disparates. Isto agora é a sério. Não é o primeiro de abril", disse o juiz presidente.

Os outros dois arguidos foram condenados a uma pena de um ano e três meses de prisão, suspensa por igual período.

Segundo a acusação deduzida pelo Ministério Público (MP), os arguidos decidiram assaltar um conjunto de estabelecimentos que procediam à compra e venda de ouro, prata e outros metais preciosos, previamente selecionados.

O primeiro assalto ocorreu na madrugada de 31 agosto de 2012, e teve como alvo uma loja de compra de ouro em S. João de Ver, Santa Maria da Feira.

Cinco dias depois, os suspeitos foram intercetados pela GNR quando estavam a tentar forçar as grades de segurança de dois outros estabelecimentos em Santa Maria da Feira, poucas horas depois de terem assaltado outra loja, em São João da Madeira.

Nesse mesmo dia, de manhã, depois de terem sido libertados pela GNR, os arguidos teriam assaltado uma ourivesaria em Arrifana, Santa Maria da Feira, numa altura em que o estabelecimento se encontrava aberto e havia clientes no seu interior.

Segundo os investigadores, dois dos assaltantes entraram na ourivesaria, encapuzados e armados, enquanto os outros dois permaneceram no exterior, dentro de uma viatura.

Após o assalto, os arguidos fugiram do local, levando diversas peças de ourivesaria e relojoaria no valor global superior a 200 mil euros, tendo ainda efetuado dois disparos para o ar.