A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) disse hoje entender que, “por um princípio de justiça e solidariedade, todo o país deve ter a consciência do que se passou com as vítimas” deste fogo.

“A AVIPG entende que, por um princípio de justiça e solidariedade, todo o país deve ter a consciência do que se passou com as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, pois só assim ter-se-á a real compreensão da dimensão da tragédia e das suas circunstâncias pessoais, de forma a que possamos tirar lições desta que foi a maior tragédia em termos de vidas humanas em matéria de incêndios florestais em Portugal”, refere a estrutura, numa comunicação enviada à agência Lusa.

A associação diz ainda que está a “organizar, em coordenação direta com o Ministério da Administração Interna, a disponibilização de informação parcelar por vítima ou família relativa ao capítulo 6 do relatório intitulado ‘O complexo de Incêndios de Pedrógão Grande e Concelhos Limítrofes, iniciado a 17 de junho de 2017’ […], aos familiares das vítimas que detenham a titularidade do acesso à documentação, nos termos legais e previstos na deliberação da Comissão Nacional de Proteção de Dados de 21 de novembro de 2017 e do Regime de Acesso à Documentação Administrativa”.

Este estudo, elaborado pelo Centro de Estudos Sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, foi coordenado pelo professor Domingos Xavier Viegas.

A Comissão Nacional de Proteção de Dados vetou a publicação integral do capítulo 6 do relatório, permitindo apenas que os familiares das vítimas tenham acesso à informação.

A CNPD considera que a divulgação pública do relatório expõe “as pessoas num grau muito elevado, afetando significativamente os direitos fundamentais ao respeito pela vida privada e à proteção de dados pessoais”.

Hoje, em comunicado, a AVIPG diz estar “fortemente empenhada em promover o acesso à documentação aos familiares das vítimas e, paralelamente, está a recolher a autorização dos mesmos para a sua divulgação total ou parcial”.

“Não há mais espaço para protelamentos, ignorância e medos depois de 2017. O país precisa acordar para o real problema da interioridade e a sua desertificação, do desordenamento florestal e do abandono da floresta enquanto pilar da economia nacional, da ausência de direção, fiscalização e controlo por parte das entidades públicas e suas concessionárias e da ausência e falhas na proteção e socorro às populações”, refere a nota enviada à Lusa.

Assim, “solicita-se a todos os interessados diretos que entrem em contacto com a AVIPG pelo ‘email’ afvipg@gmail.com para agendamento da entrega do extrato que lhe diz respeito num dos dois polos - de Pedrógão Grande ou de Lisboa, em data a indicar”.