Dezenas de pessoas dos sete concelhos afetados pelo incêndio de Pedrógão Grande, em junho, receberam, esta segunda-feira, roupas, eletrodomésticos, pequenas mobílias e produtos de higiene e limpeza. A distribuição foi feita pela Cáritas Diocesana de Coimbra.

Como havia muitas solicitações de roupa e calçado de inverno e roupa de cama para fazer face ao frio, optámos por fazer esta distribuição, porque assim conseguimos chegar a mais pessoas e responder de forma eficaz às necessidades"

Mariana Figueiredo, técnica da instituição, explicou à agência Lusa que "há partes de casas que foram afetadas e as pessoas ainda não tiveram resposta sobre se os prejuízos vão ser cobertos pelo fundo Revita, pelo que este apoio é importante" para as mesmas.

A iniciativa da Cáritas Diocesana de Coimbra realiza-se até ao final do diam na Casa Paroquial de Pedrógão Grande, mas da parte da manhã já tinham sido contabilizadas dezenas de pessoas que procuraram receber alguns bens.

"Há quem não saiba dividir com os outros"

Guilhermina da Piedade Eiras, de Vila Facaia, Pedrógão Grande, era uma dessas pessoas. Foi à procura de alguns eletrodomésticos, mas quando chegou já não encontrou nenhum "frigorífico, fogão ou um micro-ondas".

"Ardeu-me um anexo da casa onde tinha tudo, desde fogão, frigorífico, mesa de refeições, até às alfaias agrícolas, trator e bens alimentares", disse à agência Lusa, mostrando-se ainda afetada pelo terrível incêndio de 17 de junho.

Apesar de se ter salvado das chamas juntamente com o marido e uma cunhada, Guilhermina Eiras denuncia que, nestes cinco meses, nunca foi visitada por "assistentes sociais ou psicólogos".

"Talvez pela minha casa e a da minha cunhada ficarem afastadas da localidade [de Vila Facaia]", ironiza a senhora de 69 anos, que acabou por levar algumas roupas para casa.

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Vindo de Sarzedas do Vasco, concelho de Castanheira de Pera, Carlos Mendes aproveitou a ação de hoje da Cáritas para levar dois colchões para equipar a sua casa, que ardeu parcialmente no incêndio de junho, juntamente com a oficina de que era proprietário.

A casa está em reconstrução, num investimento de 60 mil euros, suportado pela Cáritas, e Carlos Mendes ainda necessita de móveis e eletrodomésticos para equipar a habitação.

"Esta ajuda é muito importante, mas devia haver mais civismo entre as pessoas, que não sabem dividir com os outros", queixou-se Anabela Leitão, que se dirigiu à Casa de Paroquial para receber roupas de inverno para o irmão, que ficou sem a casa que partilhava com o pai, na Graça, Pedrógão Grande.

O fogo de Pedrógão Grande, em 17 de junho, que depois alastrou a outros municípios, provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.