A Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra revelou esta quarta-feira, em comunicado, que o número de arguidos no processo de Pedrógão Grande subiu para seis. Inicialmente a PGR tinha adiantado que o número de arguidos tinha subido para sete, mas acabou por corrigir o número para seis. 

“O inquérito relativo aos incêndios de Pedrógão Grande tem seis arguidos. Dois haviam sido constituídos em dezembro último. Os restantes quatro, três deles ligados à área de gestão de combustíveis e um às operações de comando de combate ao incêndio, foram constituídos e interrogados como arguidos nos últimos dias de abril”, corrigiu ao início da noite a PGDC numa nota publicada na sua página na Internet.

Na mesma nota, a PGDC adianta que “todos os arguidos são pessoas singulares”.

Em dezembro de 2017, foram constituídos arguidos o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, e o segundo comandante distrital de Leiria, Mário Cerol.

Já esta quarta-feira, num esclarecimento enviado à agência Lusa, a Ascendi Pinhal Interior informa ter “conhecimento que dois dos seus colaboradores afetos a esta subconcessionária foram ouvidos em interrogatório e constituídos arguidos no âmbito da investigação” aos incêndios de Pedrógão Grande e concelhos limítrofes, em junho do ano passado.

“A Ascendi Pinhal Interior e os seus colaboradores têm vindo a colaborar com as autoridades judiciárias, contribuindo com o que está ao seu alcance para o esclarecimento dos acontecimentos verificados, estando seguros de que cumpriram todo o quadro legal aplicável, não lhes sendo imputável qualquer responsabilidade”, sublinha a empresa.

A investigação permitiu apurar que em causa estão “factos suscetíveis de integrarem” os crimes de homicídio por negligência e ofensas corporais por negligência.

O mesmo comunicado confirma que o DIAP de Leiria, onde decorre o inquérito que investiga os incêndios de Pedrógão Grande, recebeu, em novembro de 2017, o relatório da auditoria da Proteção Civil, revelada esta quarta-feira pelo jornal Público, que dá conta de que foram apagados documentos sobre o combate ao incêndio.

“Este documento foi junto aos autos, sendo considerado no âmbito das investigações em curso”, acrescenta.

De acordo com o Público, que teve acesso ao relatório da auditoria feita pela Direção Nacional de Auditoria e Fiscalização da ANPC, a organização inicial do combate ao incêndio teve falhas graves, sendo que os auditores se depararam com a inexistência de provas documentais sobre o trabalho de combate ao fogo.

Segundo os auditores que fizeram o relatório sobre o desempenho dos seus agentes no combate ao fogo de junho de 2017, toda a investigação se deparou com “limitações na obtenção de elementos de prova”, informação que “pode tornar-se vital” para a avaliação posterior, nomeadamente ao nível da responsabilidade disciplinar e criminal.

Em causa, refere o Público, estão todos os documentos que são produzidos no posto de comando de um incêndio, desde os planos de situação aos planos estratégicos de ataque, e todas as informações das três células de qualquer posto de comando (logística, planeamento e operações).

O Governo fez entretanto saber que o relatório da auditoria interna da Proteção Civil sobre o fogo de Pedrógão Grande foi enviado em novembro para o Ministério Público e que não escondeu o documento.

“É falsa a informação de que o Governo tenha ‘escondido’ o relatório desde novembro”, afirma o Governo, em comunicado, referindo estar a esclarecer a notícia do Público.

Em junho de 2017, os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande provocaram 66 mortos.

As investigações prosseguem, com a coadjuvação da Polícia Judiciária, estando o inquérito em segredo de justiça.