O Ministério da Administração Interna (MAI) insiste que o número de vítimas mortais dos trágicos incêndios de Pedrógão Grande é de 64. É a reação do MAI à notícia do semanário Expresso que dá conta de pelo menos mais uma vítima indireta dos incêndios, que morreu atropelada quando fugia das chamas.

Em comunicado, o Ministério da Administração Interna diz que, "com base nos dados disponibilizados até ao momento pelas diversas entidades que continuam a investigar os trágicos acontecimentos ocorridos em Pedrógão Grande, os incêndios ocorridos naquele concelho provocaram 64 vítimas mortais".

Acrescenta ainda o MAI que "é este o número validado e confirmado pelas autoridades competentes, nomeadamente o Instituto de Medicina Legal, entidade que procedeu à identificação das vítimas e posteriores autópsias."

O Governo acrescenta que "o número de vítimas mortais foi apurado com base nos critérios previamente definidos e que se prendem com cidadãos que morreram por queimaduras ou por inalação de fumos, decorrentes dos incêndios".

Conclui a tutela que "o Governo é o primeiro interessado em que tudo fique esclarecido...  e por isso, aguarda as conclusões das diversas investigações em curso."  

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Também a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) sustentou este sábado que o incêndio de junho em Pedrógão Grande fez 64 vítimas mortais, em "consequência direta" do fogo, e que outros eventuais casos não se integram nos critérios "definidos".

Os critérios que foram identificados para apurar as vítimas do incêndio são "mortes por inalação e queimaduras", resultantes do fogo, adiantou à agência Lusa a adjunta nacional de operações Patrícia Gaspar.

O semanário Expresso noticia este sábado que houve pelo menos 65 mortos no incêndio de Pedrogão Grande, enquanto os números oficiais têm apontado sempre para 64 vítimas mortais - de acordo com o jornal, a lista de 64 mortos do incêndio de Pedrógão Grande exclui vítimas indiretas.

De acordo com o semanário, os critérios para elaborar a lista oficial das vítimas mortais exclui designadamente o caso de uma mulher que foi atropelada quando fugiu das chamas.

A responsável da ANPC reitera que "os 64 mortos é o numero de mortes apurado pelas autoridades nacionais", remetendo mais detalhes sobre a definição dos critérios para os ministérios da Saúde e da Justiça.

O Expresso refere que pediu a lista oficial de mortos ao Ministério da Justiça, tendo recebido a indicação de que a identificação das vítimas mortais era “informação emergente da atividade do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses e da Polícia Judiciária, integrada no inquérito-crime do Departamento de Investigação e Ação Penal da Comarca de Leiria, que se encontra em segredo de justiça”.

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O tema levantado este sábado pelo jornal mereceu já várias reações dos partidos: o PSD exigiu que o Governo divulgue já a lista de mortos no incêndio de há um mês, e que explique que critérios determinaram a constituição dessa lista de vítimas; e a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu que "o país tem de conhecer exatamente a dimensão da tragédia".

O incêndio que deflagrou em 17 de junho, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foi dado como extinto uma semana depois.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

A área destruída por estes incêndios na região Centro corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em março.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.