A campanha de recolha de fundos para apoiar as vítimas dos incêndios da região centro, promovida pela União das Misericórdias Portuguesas (UMP), angariou perto de 500 mil euros, anunciou esta sexta-feira a instituição.

O valor de 491.113,56 euros foi angariado entre 18 de junho e esta sexta-feira, através da conta de solidariedade criada pela UMP e pela Caixa Económica Montepio Geral, que encerra hoje, adianta a União das Misericórdias Portuguesas em comunicado.

A UMP reafirma que todos os recursos angariados nas diversas iniciativas de solidariedade social promovidas serão investidos no apoio direto às famílias afetadas pelos incêndios florestais da região centro de Portugal, que fizerem 64 mortos e mais de 200 feridos.

Recentemente o Grupo de Trabalho e Emergência da UMP, criado para responder à catástrofe, definiu que os fundos solidários angariados deverão, prioritariamente, apoiar a recuperação de imóveis de habitação permanente e criar condições para o fomento de emprego que contribuam, a médio prazo, para evitar a desertificação das localidades afetadas e para o desenvolvimento regional e local.

A União das Misericórdias Portuguesas agradece “a mobilização de todos os que se aliaram à causa e que juntos contribuíram para este movimento de solidariedade e de apoio às famílias vítimas desta tragédia”, que também irão beneficiar dos 1,15 milhões de euros angariados no concerto “Juntos por Todos”, realizado no MEO Arena.

A UMP, juntamente com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Montepio, a Sonae Sierra e a associação Just a Change, estão a trabalhar em “estreita articulação” com os serviços da Segurança Social, a Autoridade Nacional de Proteção Civil e as Câmaras Municipais e Misericórdias de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Sertã e Penela para “ajudar as famílias o mais rapidamente possível e sem a duplicação de apoios”.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas nestes incêndios, que começaram em Pedrógão Grande no dia 17 de junho, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

A área destruída por estes incêndios na região centro corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em março.

Das vítimas do incêndio, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236-1 ou em acessos a esta, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e Penela.