O secretário de Estado da Administração Interna disse esta quinta-feira que o incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande pode ser dado como extinto na sexta-feira ou no sábado, também com a ajuda das condições climatéricas favoráveis.

Neste momento, estamos só num ponto de vigilância. Já não há chamas rigorosamente nenhumas. Temos temperaturas que no máximo atingirão os 25 graus, um índice de humidade relativa de 50% e vamos ter uma temperatura noturna que rondará os 18 graus", explicou o governante.

Jorge Gomes, que falava à saída de um ‘briefing' realizado no posto de comando instalado em Avelar, no concelho de Ansião, Leiria, com o comandante operacional da Proteção Civil, António Ribeiro, mostrou-se otimista em relação à extinção do incêndio durante os próximos dois dias.

O que quer dizer que estão criadas as condições para amanhã [sexta-feira] ou depois de amanhã [sábado] darmos o incêndio como extinto", afirmou.

Já em relação às pessoas deslocadas por causa deste fogo, disse que neste momento, tal como em Góis, regressaram todos a casa: "Não há deslocados neste momento. Todos os habitantes que foram retirados das suas residências já regressaram às suas residências. Isso é algo que nos satisfaz".

Relatório preliminar de estragos deve estar concluído no sábado

O relatório preliminar dos estragos provocados pelo incêndio de Pedrógão Grande em habitações, na floresta e terrenos agrícolas deverá estar concluído no sábado, disse à agência Lusa o presidente da autarquia local.

Vamos fazer um levantamento até sábado, para se criar um relatório preliminar, para depois elaborar para a semana, princípio da próxima semana, o relatório final", afirmou Valdemar Alves.

Em declarações no final de uma reunião que decorreu ao longo da manhã de hoje e que juntou cerca de 40 pessoas, incluindo técnicos do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana, agricultura, florestas, segurança social e autarquias, o autarca explicou que foram criados três grupos - um por cada um dos concelhos mais atingidos pelo incêndio (Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira da Pera) - que serão coordenados pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), por determinação do Governo.

Os grupos estão a trabalhar no levantamento dos estragos "para ver tudo o que aconteceu. Estragos nas casas de primeira habitação, segunda habitação, a parte da indústria, a parte florestal, a parte agrícola e as [necessidades das] pessoas, essencialmente", frisou o autarca.

Valdemar Alves reafirmou que no seu concelho cerca de 95% da floresta e zona agrícola foi destruída pelo incêndio que eclodiu ao início da tarde de sábado e que foi dado como dominado na quarta-feira, provocando pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos.

"A destruição é total", lamentou.

Para além das questões materiais, o autarca manifestou-se preocupado com a forma como as populações irão lidar com as consequências do incêndio, nos próximos dias: "Temos aqui uma vasta equipa de psicólogos e isto vai ser difícil, enquanto não se enterrarem todos os defuntos. E, a partir daí, ainda mais difícil vai ser, quando começarem a sentir a falta dos seus entes queridos. Mas pronto, eu e os meus colegas [autarcas] temos de ter força para fazer renascer novamente Pedrógão das cinzas", declarou.

O incêndio, que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, segundo o último balanço, divulgado esta quarta-feira. É o mais mortífero da história do país.

O fogo começou em Escalos Fundeiros, e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

Desde então, as chamas chegaram aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

O incêndio consumiu cerca de 30 mil hectares de floresta, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais.