O incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande destruiu totalmente cerca de 20 habitações e afetou uma centena de postos de trabalhos, segundo os prejuízos provisórios avançados pelo Governo.

Na conferência de imprensa realizada após o Conselho de Ministros, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, adiantou que em cerca de metade do concelho de Pedrógão Grande foram identificadas “duas dezenas de habitações permanentes profundamente afetadas em que as pessoas não podiam residir”, além de terem sido afetadas “muitas mais habitações não permanentes”, anexos agrícolas e outro tipo de explorações.

Pedro Marques disse também que foram afetadas, pelo menos, uma centena de postos de trabalho de três grandes unidades agroindustriais existentes nos concelhos de Pedrogão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos.

O ministro explicou que está a ser feito no terreno um levantamento das necessidades.

Estamos a identificar as medidas, quer do ponto de vista da salvaguarda dos postos de trabalho, quer das medidas de apoio ao reinvestimento das empresas para que possam voltar a operar com normalidade”, afirmou.

Pedro Marques sublinhou que a prioridade está a ser a identificação das situações mais emergentes ao nível das habitações e dos postos de trabalho, bem como das questões agrícolas.

No final do conselho de ministros, o primeiro-ministro, António Costa, anunciou que todos os mecanismos de apoio estão ativados e disponíveis nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, os mais afetados pelos incêndios dos últimos dias.

Todos os mecanismos de apoio do Ministério do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), do Ministério do Planeamento, do Ministério da Agricultura e ainda o Fundo de Emergência Municipal estão ativados e disponíveis”, disse António Costa.

Gabinete de crise no local

O trabalho de aferição dos estragos provocados pelo incêndio na zona de Pedrógão Grande está centrado naquele município, onde foi instalado um centro operacional da responsabilidade da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

Em declarações à agência Lusa, Ana Abrunhosa, presidente da CCDRC, disse que o centro operacional irá funcionar nos Paços do Concelho de Pedrógão Grande até que esteja concluído o relatório dos estragos em habitações, floresta e outras infraestruturas que deverá ser entregue ao Governo na próxima semana.

A responsável adiantou que o centro operacional inclui entidades ligadas à habitação e reabilitação urbana, agricultura, florestas, segurança social, turismo e vias de comunicação, entre outras, além do envolvimento e acompanhamento das Câmaras Municipais e juntas de freguesia dos três concelhos (Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera) mais afetados pelo incêndio.

O grupo de entidades dará "particular atenção à questão das habitações, apoio social e infraestruturas que ficaram afetadas. Depois do levantamento feito, este mesmo grupo vai também refletir nas soluções", indicou Ana Abrunhosa.

O levantamento de estragos começou esta quinta-feira, com um metodologia de trabalho "bem definida, para impedir que a mesma pessoa seja incomodada por grupos diferentes", frisou Ana Abrunhosa.

E para evitar ao máximo incomodar as pessoas, muitas delas estão a viver o seu luto", recordou.

A responsável da CCDRC disse ainda que "nunca" experienciou uma tragédia desta dimensão: "Já intervimos noutras situações mais recentes como o incêndio do Caramulo, mas com esta dimensão social e humana penso que nem o país alguma vez viu", sustentou, destacando "o grande empenho" nos trabalhos em curso das entidades que compõem o grupo e seus colaboradores.

Foram identificadas 44 das 64 vítimas

O Ministério da Justiça revelou, em comunicado, que as autópsias às 64 vítimas já foram concluídas e que já foram identificadas 44 vítimas. 

O comunicado revela ainda que "até ao momento foram já levantados pelas famílias 27 corpos, pelo que amanhã o INMLCF dispensará a unidade de refrigeração móvel – procedimento típico em desastres de massa -, e acomodará nas suas instalações de Coimbra todos os corpos ainda não entregues às famílias".

O incêndio, que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, segundo o último balanço, divulgado esta quarta-feira. É o mais mortífero da história do país.

O fogo começou em Escalos Fundeiros, e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

Desde então, as chamas chegaram aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

O incêndio consumiu cerca de 30 mil hectares de floresta, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais.