O ex-comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) Rui Esteves foi ouvido como testemunha no Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria, sobre os incêndios em Pedrogão Grande.

Segundo confirmou à Lusa fonte da Procuradoria-Geral da República, Rui Esteves foi ouvido na qualidade de "testemunha", no inquérito sobre os incêndios de 17 de junho, processo no âmbito do qual em dezembro de 2017 já foram constituídos arguidos o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, e o segundo comandante distrital de Leiria Mário Cerol.

Estes dois arguidos estão indiciados por homicídio por negligência e ofensas corporais por negligência, disse à Lusa a 12 de dezembro de 2017 fonte da Procuradoria-Geral da República.

O comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) Rui Esteves apresentou a demissão a 14 de setembro de 2017.

A demissão de Rui Esteves surge poucas horas depois de o ministro do Ensino Superior e o presidente do Politécnico de Castelo Branco terem pedido à Inspeção-Geral de Educação e Ciência a abertura de um inquérito à licenciatura do comandante da Autoridade Nacional da Proteção Civil.

A licenciatura de Rui Esteves em Proteção Civil pela Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco foi concluída com 32 equivalências num total de 36 unidades curriculares que compõem o curso, segundo avançou então o jornal Público e a RTP.

De acordo com a informação, as equivalências tiveram por base experiência profissional e cursos de formação.

No início de setembro, por determinação da então ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo disciplinar a Rui Esteves, depois de ter sido noticiado a acumulação de funções públicas.

Além destes dois casos, Rui Esteves estava em funções aquando dos incêndios que deflagraram a 17 de junho de 2017 em Pedrógão Grande, fogos que provocaram 66 mortos e mais de 250 feridos.