É urgente e o primeiro-ministro sublinha-o no despacho em que pede esclarecimentos sobre a forma como funcionou o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) a propósito do incêndio de Pedrógão Grande e sobre o que levou a que a estrada nacional 236-I não tenha sido encerrada. 

Este despacho, ao qual a agência Lusa teve acesso, depois de o Público ter noticiado a sua existência, refere-se a três das circunstâncias por apurar em relação às consequências trágicas do incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, distrito de Leiria. Morreram 64 pessoas e 157 ficaram feridas, segundo o último balanço.

De acordo com o primeiro-ministro, "sem prejuízo da avaliação global que terá lugar no termo das operações ainda em curso, há três questões relativas à tragédia ocorrida em Pedrógão Grande no passado sábado" que entende "necessário esclarecer desde já".

Houve no local circunstâncias meteorológicas e dinâmicas geofísicas invulgares que possam explicar a dimensão e intensidade da tragédia, em especial no número de vítimas humanas, sem paralelo nas ocorrências de incêndios florestais, infelizmente tão frequentes em Portugal".

António Costa pergunta depois se é passível de confirmação que "houve interrupção do funcionamento da rede SIRESP (Rede Nacional de Emergência e Segurança)".

"Porquê, durante quanto tempo, se não funcionaram as suas próprias redundâncias e que impacto teve no planeamento, comando e execução das operações, como se estabeleceram ligações alternativas?"

 

Porque não foi encerrada ao trânsito a Estrada Nacional (EN 236-I), foi esta via indicada pelas autoridades como alternativa ao IC 8 já encerrado e foram adotadas medidas de segurança à circulação nesta via?"

 

António Costa diz que, "para rápido esclarecimento" determina "que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, I.P., a Autoridade Nacional de Proteção Civil e a Guarda Nacional Republicana respondam, respetivamente, às três questões".

Note-se que a GNR não esclareceu hoje, perante os jornailstas, se desviou condutores para a estrada da morte.

O incêndio que começou no Pedrógão Grande, no sábado, tornou-se no maior de sempre em Portugal com 26 mil hectares ardidos. alastrou-se para os distritos de Castelo Branco e Coimbra.  Neste momento, a situação em Góis é a mais complicada, tendo obrigado a evacuar várias aldeias.