O ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, afirmou esta terça-feira que até ao fim do mês fica concluído o levantamento sobre a capacidade que o setor social tem para acolher refugiados.

“O setor social vai fazer o levantamento de toda a rede que tem, de todas as disponibilidades que tem para fazer um acolhimento, para tratar da alimentação, para tratar da ligação à escola, da ligação ao setor da saúde e também da integração, da formação e do ensino de português”, afirmou Mota Soares aos jornalistas, no final de uma reunião de coordenação do setor social, no Porto, que contou com a presença dos presidentes da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) , da União das Mutualidades Portuguesas e da União das Misericórdias Portuguesas.


Segundo o ministro, os serviços públicos, como o Instituto da Segurança Social e o Instituto de Emprego e Formação Profissional, “estão já no terreno” a trabalharem para fazer esse acolhimento, mas “é fundamental trabalhar com o setor social para ser o agregador”.

“Efetivamente é [o setor social] quem tem uma rede social ao longo de todo o país que tem capacidade de resposta sobre esta matéria. Para nós é fundamental envolver o setor social, aproveitar até a disponibilidade, a boa vontade que o setor social demonstrou”, frisou Mota Soares.


Sem adiantar o número de refugiados que Portugal poderá acolher no âmbito da proposta de recolocação de 120 mil apresentada pela Comissão Europeia, matéria que “está a ser liderada pelo Ministério da Administração Interna”, Mota Soares destacou que “Portugal apoiou a proposta” e que “ainda não está definido o contributo de cada país”.

“O essencial é preparar a capacidade de acolhimento de refugiados”, disse, adiantando que “o setor social e solidário está a preparar a resposta interna”.

Mota Soares referiu também que é fundamental trabalhar dentro das capacidades que o país tem para que seja possível acolher refugiados que poderão dar o seu contributo para ajudarem Portugal “a sustentar o crescimento económico”.

Lino Maia, presidente da CNIS, destacou aos jornalistas que “há uma grande vontade, uma grande capacidade” das instituições de solidariedade social (IPSS) em acolher refugiados.

O objetivo da CNIS é “privilegiar o acolhimento familiar” dos refugiados, através de um “alojamento autónomo” para cada uma das famílias, “garantindo condições para um posterior, possível e necessário reagrupamento familiar”.

“Não é propriamente um ir para as instituições, é ir para uma residência onde as pessoas possam fazer a sua vida”, sublinhou o responsável.

Lino Maia recordou que existem cerca de 2.900 IPSS em todo o país, garantindo que “no fim do mês” haverá um número previsível daquelas que poderão acolher refugiados.

“Estamos a procurar ver quais as instituições, e sei que há muitas, que têm capacidade de alojamento, de apoio na alimentação e vestuário, de apoio para a associação de refugiados à escola, à saúde e para a integração comunitária”, afirmou.


Lino Maia realçou ainda a necessidade de “mobilizar a sociedade para que haja um bom acolhimento”, afirmando que muitos dos refugiados não veria “Portugal como primeiro destino, mas certamente que vão encontrar em Portugal um bom acolhimento e uma boa capacidade de acolhimento”.