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Pedofilia: escândalo pode afastar jovens

Quem o admite é o padre José Miguel Pereira, vice-reitor e formador do Seminário Maior de Cristo-Rei, nos Olivais

Por: tvi24 / PP  |  18- 3- 2010  16: 21

O escândalo de pedofilia que está a abalar a igreja católica, devido a abusos conhecidos nas últimas semanas, pode afastar os jovens portugueses do seu caminho sacerdotal e até os fiéis das missas, afirmou um responsável pela formação eclesiástica, escreve a Lusa.

O padre José Miguel Pereira, vice-reitor e formador do Seminário Maior de Cristo-Rei, nos Olivais, em Lisboa, disse à Lusa que estes casos podem ter consequências negativas nos jovens que optaram pela via religiosa e inclusive levá-los a desistir da sua vocação.

«Principalmente nos jovens que estão num caminho mais inicial da sua formação, entre os 14, 15 anos, estes casos e o consequente julgamento que se faz de toda a Igreja podem abalar e até levar a que desistam desta via», disse.

Para o padre José Miguel Pereira, esta é uma fase em que os jovens sentem «os apelos do amor e da paixão», os quais podem ser factores de «perturbação» na via sacerdotal.

Se acrescer a esta «perturbação» uma carga negativa sobre quem opta pelo celibato, produzida por notícias que julgam todos os padres como pedófilos, esse «peso» pode influenciar a escolha de um jovem.

Perante uma onda de notícias de abusos sexuais cometidos por religiosos em vários países europeus, tal como há uns anos nos Estados Unidos, o padre José Miguel Pereira esclareceu que não conhece casos de pedofilia nos seminários portugueses.

O religioso disse que não foi recebida da cúpula católica qualquer orientação para prevenir abusos nos regimes de internato e que a prevenção deve passar por evitar situações de intimidade.

«Enquanto formador, não posso gerar ambiguidades ao ponto de alguém pensar que estou interessado nisso», afirmou.

Se estes casos podem ter o poder de inverter a via católica nos mais jovens, nos padres tais notícias também não são indiferentes.

«Como sacerdote não ignoro, tenha ou não fundamento», sublinhou. Outra consequência alvitrada por este padre é a diminuição de fiéis nas igrejas.

«Poderá levar fiéis a virar as costas à Igreja, nomeadamente os que têm uma relação íntima com Jesus, mas ainda pouco eclesial, e os que buscam na igreja os serviços religiosos, mas não a vêem como a sua casa».

A igreja também poderá ver partir os que buscam nela «a perfeição», já que os padres «não são melhores do que os outros, mas sim os que reconhecem a necessidade do caminho».

Sobre o crime de pedofilia, o sacerdote lembrou que «o abuso sexual, além de ser um pecado grave, é uma agressão abominável».

Mas para estes crimes «tem de haver perdão», afirmou, frisando que, «para Deus, todo o pecado tem perdão, desde que implique a reparação das vítimas, a prevenção de novos crimes e a cura do pedófilo».

«Deus ama a todos como pai, mesmo os que não se comportem como filhos, mas como monstros», disse. Para o padre José Miguel Pereira, «a igreja sabe perdoar, mesmo que tenha de arcar com as custas de ser socialmente condenada por dar perdão».

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