O diretor da Pediatria do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) defendeu o encerramento transitório da maternidade do hospital de Portimão por falta de pediatras, mas a administração da unidade diz que a proposta não é «exequível».

Em carta datada de 02 de julho, a que a agência Lusa teve hoje acesso, o diretor daquele serviço sugere o encerramento transitório da maternidade de Portimão no período noturno, no mês de julho, e o encerramento diurno em oito dos 31 dias deste mês, argumentando que existe apenas um pediatra por cada período de 12 horas.

«A urgência da unidade de Portimão é responsável pela assistência na maternidade, o que implica a presença de dois pediatras no período diurno e noturno, o que tem sido mais ou menos conseguido com recurso aos pediatras de Faro e pedindo aos médicos que façam mais horas extraordinárias do que aquelas que legalmente têm de fazer», lê-se no documento.

«A maternidade de Portimão só está aberta porque os médicos têm muito boa vontade», afirmou Pedro Nunes, sublinhando que a administração fará o esforço financeiro que for necessário para a manter aberta, mas que não pode «obrigar» os médicos a irem de Faro para Portimão e que quando os profissionais «se cansarem, não há escalas».

Segundo aquele responsável, a maternidade do hospital de Portimão realiza cerca de mil partos por ano e tem apenas seis pediatras e oito obstetras, que fazem simultaneamente os serviços de urgência e maternidade.

Contudo, mantém-se como maternidade de primeira linha por questões de localização, já que populações como a de Aljezur, por exemplo, ficam a cerca de 100 quilómetros do hospital de Faro.

«Não há recursos nem num lado, nem no outro», afirmou, observando que em Faro, cuja maternidade realiza cerca de 3.000 partos por ano, existem 20 obstetras, 14 dos quais com mais de 55 anos.

De acordo com Pedro Nunes, uma das soluções possíveis seria reduzir a atividade da maternidade de Portimão e deslocar as grávidas de termo para Faro, que ficariam em alojamentos para esse fim.

As unidades de Faro, Portimão e Lagos passaram a integrar o Centro Hospitalar do Algarve há um ano, gerando uma onda de contestação por parte de cidadãos e de presidentes de autarquias, como a de Portimão, que subscreveu uma providência cautelar para evitar a extinção de valências naquela unidade.

No final de março, o tribunal deu provimento à providência cautelar, obrigando à reposição de valências, o que na prática resultou no impedimento da transferência de pessoal e de serviços do hospital de Portimão para o de Faro.

O ministro da Saúde anunciou, entretanto, na última quinta-feira, a abertura de mais de cem vagas para médicos de várias especialidades no Algarve, incluindo medicina familiar, após a denúncia da Ordem dos Médicos de falta de clínicos na região.

Na semana anterior, o ministro anunciara, no Parlamento, a contratação de 45 enfermeiros para o Algarve, e também de mais médicos, embora sem precisar o número.

A Ordem dos Médicos estimou a falta, no Algarve, de mais de 200 clínicos, temendo problemas de acesso aos serviços públicos de saúde durante o verão.