O deputado do PCP no Parlamento Europeu João Ferreira disse esta quinta-feira que o Baixo Mondego, afetado por cheias nos últimos dias, é o "exemplo acabado" da desarticulação da administração central que ali devia intervir para as prevenir.

"O Baixo Mondego é o exemplo acabado de como a desarticulação de entidades da administração central em setores estratégicos da agricultura e ambiente foi prejudicial para a economia", disse João Ferreira aos jornalistas, no final de uma visita àquela região dos concelhos de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho.

De acordo com a Lusa, o deputado considerou "essencial" a conclusão do aproveitamento hidroagrícola, nomeadamente as obras na margem esquerda nos vales do Arunca, Pranto e Ega, afluentes do Mondego, para servir a agricultura e permitir fazer face às subidas de caudais, evitando inundações em alguns casos, considerando que esta "é uma responsabilidade essencialmente nacional".

"É preciso fazer a programação da obra e afetar-lhe os investimentos necessários. A obra é possível e necessária, isto é evidente", frisou, lembrando que a intervenção "está há 40 anos por concluir em quase metade dos 13 mil hectares".

João Ferreira notou, no entanto, que os fenómenos de cheias no vale do Mondego "são recorrentes e vão voltar a acontecer", defendendo, para além da conclusão da obra, apoios aos produtores de hortícolas afetados e à reposição da produção, sobre os quais o PCP vai intervir no Parlamento Europeu.

O deputado disse ainda que no anterior quadro comunitário "havia 412 milhões de euros para regadio sem necessidade de cofinanciamento nacional e essa verba foi desaproveitada".

Outros apoios europeus, estes do Fundo de Coesão, dizem respeito a uma lista de sítios com risco de inundação e João Ferreira quer saber se o Baixo Mondego integra a lista de locais nacionais entregue pelo anterior governo (e em caso negativo, passar a constar) para que seja possível candidatar intervenções de manutenção do leito do rio e infraestruturas adjacentes a financiamento europeu.