A deputada do PCP Carla Cruz criticou esta terça-feira alegados casos de falta de dinheiro em estações e postos dos CTT para pagar as reformas, mas fonte oficial da empresa garantiu à Lusa que «não há qualquer situação anómala registada».

Em requerimento enviado ao ministro da Economia, Carla Cruz refere que chegou ao Grupo Parlamentar do PCP a denúncia de casos de pensionistas que se deslocaram à estação dos CTT em Barcelos e ao posto de Arcozelo, no mesmo concelho, para receberem a reforma e «foram informados que, por falta de dinheiro em caixa, não poderiam naquele momento providenciar o pagamento, tendo-lhes sido comunicado para voltar mais tarde».

«As situações ocorridas no concelho de Barcelos juntam-se a tantos outros relatos que têm chegado ao Grupo Parlamentar do PCP e que dão conta de que há correio que não é distribuído diariamente, da acumulação de correspondência que chega por atacado com um atraso de uma semana ou mais, do tempo de espera interminável que tantas vezes se enfrenta nas estações de Correios», lê-se no requerimento a que a Lusa teve acesso.

Para o PCP, «este é o resultado do encerramento de estações dos Correios e da passagem do seu serviço para mercearias, retrosarias e ou tabernas, ao que agora se junta a privatização e entrega desta empresa estratégica aos grupos privados».

«Como o PCP alertou, a entrega dos CTT e do serviço postal aos privados ia deteriorar o serviço e prejudicar severamente as populações, e os recentes acontecimentos ocorridos no concelho de Barcelos bem o confirmam», acrescenta.

Carla Cruz quer saber se o Governo tem conhecimento daquelas situações, que avaliação faz das mesmas e que medidas tomará para «fazer cumprir as obrigações da empresa CTT dos pagamentos das reformas e pensões».

Contactada pela Lusa, fonte oficial dos CTT disse, em relação ao pagamento de reformas, que «não há qualquer situação anómala registada», mas sublinhou que, «como é natural em qualquer rede de retalho», seja dos CTT ou de qualquer outro setor de atividade, as disponibilidades de numerário dependem, desde logo, da procura sentida em cada dia específico.

Acrescentou que elas dependem também das disponibilidades das próprias instituições bancárias num determinado momento específico.

«Trata-se, portanto, das vicissitudes normais de qualquer rede que se relaciona diretamente com clientes. Além disso, lembramos que qualquer vale de uma prestação social pode ser levantado em qualquer um das 2478 lojas e postos CTT espalhados pelo país», acrescentou.

Garantiu ainda que a distribuição de correio é «diária em todo o território nacional, de segunda a sexta, incluindo Barcelos, como tem sido e como está previsto no contrato de concessão do serviço postal universal».

Sublinhou que os CTT ¿têm vindo a cumprir com os elevados padrões de qualidade a que a população está habituada¿, entregando o correio azul, registado e verde num dia, o correio normal num máximo de três dias e o correio publicitário num máximo de 5, de acordo com a preferência dos clientes.

«Não há, nem houve recentemente, nenhum volume anormal de correio por entregar nesta região [Barcelos], pelo que a situação é de normalidade. Não nos chegou nenhuma reclamação», rematou.