A defesa de José Sócrates pediu hoje à procuradora geral da República a abertura de um inquérito para a "necessária e adequada investigação" dos factos denunciados por Paulo Silva, um dos investigadores da "Operação Marquês".

Em comunicado, os advogados João Araújo e Pedro Delille solicitam a Joana Marques Vidal que mande extrair certidões das folhas onde constam as denúncias daquele investigador tributário e promova a "abertura de novo e competente inquérito".

Os advogados do ex-primeiro-ministro referem que Paulo Silva, coordenador da investigação ao nível do órgão de polícia criminal (OPC), solicitou uma "investigação à própria investigação" após a publicação numa revista semanal de notícias sobre matéria em segredo de justiça daquele processo.

João Araújo e Pedro Delille lembram que Paulo Silva apontou como "únicos suspeitos possíveis" ele próprio, o procurador geral adjunto titular do inquérito Rosário Teixeira e o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), Carlos Alexandre.

No requerimento enviado à procuradora geral, a defesa do antigo líder do PS solicita que sejam "retiradas todas as consequências dos factos denunciados de modo a respeitar e a garantir o direito dos arguidos", nomeadamente José Sócrates, a "uma lide leal, a uma investigação estritamente vinculada à lei e à procura da verdade material e a um processo justo e equitativo".

Os advogados indicam as folhas do processo onde, já em 26 de junho de 2014, Paulo Silva denunciava "um novo lamentável acontecimento que pode perigar, em definitivo, o sucesso da presente investigação, no que concerne à eventual recolha de prova junto dos suspeitos e seus colaboradores (...) a propósito de uma notícia num jornal diário com o título de 1/a página ´Diap investiga cartões de Sócrates´".

A defesa de Sócrates cita ainda o inspetor da Autoridade Tributária quando este alerta que a divulgação de partes processuais do inquérito é "motivo para perigar o futuro" da investigação.