As autoridades realizaram, esta quinta-feira, de manhã e de tarde, buscas no Banco Carregosa, no Porto. As diligências, realizadas no âmbito da Operação Rota do Atlântico, foram acompanhadas pelo juiz Carlos Alexandre, de acordo com o que a TVI apurou.

As buscas já foram confirmadas pela Procuradoria Geral da República. "Confirma-se a realização de buscas, no Porto, no âmbito da designada Operação Rota do Atlântico", respondeu a PGR a uma pergunta enviada pela agência Lusa.

O banco já confirmou a realização das buscas, que visaram recolher informações sobre um cliente da instituição, segundo revelou à Lusa uma fonte oficial.

"Uma equipa de investigadores do Ministério Público e da Polícia Judiciária apresentou-se hoje no banco com um pedido de informação sobre determinada personalidade que é cliente."

A responsável especificou que, como as autoridades se fizeram acompanhar de um mandato de um juiz para o efeito, foram-lhes transmitidas as informações solicitadas.

"A informação recolhida não é sobre o Banco Carregosa, mas sim sobre um cliente", sublinhou a mesma fonte, invocando a questão do sigilo bancário para não revelar a identidade da pessoa em causa.

A operação Rota do Atlântico levou à detenção do empresário José Veiga e de Paulo Santana Lopes. José Veiga vai aguardar julgamento em prisão preventiva e o irmão de Pedro Santana Lopes fica em prisão domiciliária até ao pagamento de caução no valor de um milhão de euros. Uma advogada, que também foi detida no âmbito da mesma operação, fica em liberdade a aguardar julgamento.

No âmbito de um inquérito, dirigido pelo Ministério Público, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) realizaram-se várias diligências, designadamente cerca de três dezenas de buscas a domicílios e sedes de empresas, a uma instituição bancária e a três escritórios de advogados.

Os detidos, alegadamente, celebravam contratos de fornecimento de bens e serviços relacionados com obras públicas, construção civil e venda de produtos petrolíferos, entre diversas entidades privadas e estatais.

Os proventos gerados com esta atividade eram utilizados na aquisição de imóveis, veículos de gama alta, sociedades não residentes e outros negócios, utilizando, para o efeito, pessoas com conhecimentos especiais e colocadas em lugares privilegiados, ocultando a origem do dinheiro e integrando-o na atividade económica lícita, acrescenta o documento.

Na operação foram ainda apreendidos vários imóveis, viaturas de alta gama e saldos bancários.