O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) alertou para o ambiente de instabilidade que se vive na PSP, avisando que pode estar em causa a qualidade do serviço prestado aos cidadãos.

«Quando de alguma forma se cria um ambiente de conflitualidade e instabilidade interna é evidente que, no fim da linha, quem sofre são os cidadãos, porque é impossível uma instituição fazer um serviço de excelência quando internamente há instabilidade».


Paulo Rodrigues falava aos jornalistas frente ao comando da PSP de Faro, onde decorreu uma reunião do Conselho Distrital de Delegados Sindicais de Faro, depois de, em dezembro, dois elementos do Corpo de Intervenção (CI) de Faro terem sido afastados por alegadamente terem organizado um almoço de protesto.

O dirigente sindical aproveitou para apelar à direção nacional da PSP que reveja «toda esta situação» de instabilidade e reponha a justiça em situações como a que aconteceu em Faro, mas também no Norte, onde um agente da investigação criminal foi expulso do serviço por questionar as chefias pelo facto de estar sempre escalado para trabalhar no Natal e fim de ano.

«É isto que temos em vários pontos do país, estamos a falar de uma situação que não é pontual, não é só de um local. Estamos a falar de uma situação que começa a ser transversal a todo o país».


A ASPP/PSP promove esta terça-feira, num restaurante em Faro, um almoço pela liberdade de expressão, mas, segundo Paulo Rodrigues, deverão participar menos agentes do que estava previsto devido ao facto de ter sido marcado para esta tarde um exercício que envolve diversas valências da Unidade Especial de Polícia.

Quando questionado pelos jornalistas sobre o facto de a realização do almoço eventualmente penalizar os agentes, aquele responsável frisou que, como dirigente do sindicato mais representativo da PSP, não pode permitir que o medo «seja uma normalidade» naquela instituição. «Este almoço é, de alguma forma, para enviar uma mensagem também à própria instituição PSP, à direção nacional da PSP, que não temos medo», concluiu.

Segundo Paulo Rodrigues, terá sido a organização de um «almoço-protesto», em Faro, em julho, que esteve na origem do afastamento dos dois elementos do Corpo de Intervenção da PSP de Faro, a quem não foi renovada a comissão de serviço.

Dos dois agentes, apenas um - comandante de uma das equipas do CI de Faro -, contestou judicialmente o afastamento daquela força especial, por considerar que não existia fundamento para o facto de a sua comissão de serviço não ter sido renovada. Apesar de a providência cautelar interposta por um dos agentes ter sido aceite pelo tribunal, ainda decorrem os trâmites legais referentes à ação judicial.