O presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), Paulo Rodrigues, afirmou esta terça-feira que a disponibilidade do Governo para o diálogo com os sindicatos «tem de ser séria e concretizada», em nome da segurança interna do país.

«Não basta dizer que há disponibilidade para o diálogo, essa disponibilidade tem de ser séria e concretizada, no sentido de encontrar soluções (...), porque o que está em causa, neste momento, não são só questões socioprofissionais ou de âmbito laboral, são questões que têm a ver com o funcionamento das instituições e, se as instituições não funcionarem com a estabilidade necessária, é a segurança interna que está em causa», afirmou Paulo Rodrigues, em declarações à Lusa.

Paulo Rodrigues falava à entrada da conferência «sindicalismo em contexto de crise: os desafios das forças de segurança», que juntou na Covilhã representantes dos sindicatos das forças e serviços de segurança, assim como militares da GNR e agentes da PSP.

Em reação às declarações do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo - que horas antes, em Sintra, tinha destacado o «comportamento irrepreensível» do dispositivo de segurança na manifestação de quinta-feira passada -, Paulo Rodrigues disse registar «com agrado» essa declaração e sublinhou que os polícias sabem «exatamente» qual é o seu papel, «quer quando estão de um lado, quer quando estão noutro».

O sindicalista recordou, todavia, que «é importante dizer que aqueles polícias que estiveram de serviço, se não estivessem [nessa situação] estariam na manifestação», o que considera que levará o Governo a procurar respostas para os problemas levantados pelos profissionais de segurança pública.

«Acreditamos que, depois de todas estas situações tem de haver respostas. Não podemos acreditar que o Governo olhe para isto de forma irresponsável. Não seria possível, por isso acreditamos que a responsabilidade e o bom senso vão falar mais alto e se vão resolver um conjunto de problemas que atormentam os polícias», afiançou.

O representante da ASPP/PSP garantiu ainda que as forças de segurança não fecham a porta ao entendimento.

«É da responsabilidade do senhor ministro encontrar uma solução. Claro que estamos disponíveis para o diálogo, claro que estamos dispostos a assumir compromissos, mas tem de haver vontade de resolver uma série de problemas», repetiu.

Durante a primeira parte da conferência, Paulo Rodrigues salientou o «importante papel» das forças de segurança e defendeu que o «orçamento para as forças de segurança nunca pode ser visto como uma despesa, mas sim como um investimento».

Os presentes manifestaram alguma apreensão quanto à aplicação e consequências da nova lei que consagra a polícia como um corpo especial dentro da função pública.

Esta lei foi aprovada na Assembleia da República, não tendo ainda sido publicada.

Esta terça-feira, à margem do aniversário do comando Metropolitano de Lisboa da PSP, o ministro da Administração Interna adiantou que a logo que a lei publicada, o Governo vai trabalhar «no novo edifício jurídico que consagra a polícia como um corpo especial, com direitos e deveres especiais».