O presidente do Conselho de Fiscalização do Serviço de Informações da República advertiu esta terça-feira que as secretas estão «próximas do limite» em termos de restrições orçamentais e admitiu que mais cortes poderão levar à redução da atividade.

«Nós dizemos que estamos próximos do limite da redução da produção. Entendemos que não houve ainda uma redução da produção de documentos, de relatórios de informações, mas estamos próximos do limite», afirmou Paulo Mota Pinto, que preside ao Conselho de Fiscalização do SIRP.

Paulo Mota Pinto e João Soares, que integra aquele Conselho, foram hoje ouvidos numa audição conjunta da comissão de Assuntos Constitucionais e da comissão de Defesa, à porta fechada, sobre a atividade do SIRP em 2012.

No final da reunião, Paulo Mota Pinto adiantou aos jornalistas que os efeitos das restrições orçamentais «na eficácia dos serviços» foi uma das questões colocadas pelos deputados, mas não foi discutido o orçamento para 2014.

«Em termos qualitativos é mais difícil de medir. Em termos quantitativos não se tem verificado até agora nenhuma redução de documentos produzidos», disse.

No entanto, acrescentou, a redução de meios para obtenção de informações terá como efeito «sem dúvida» a redução do nível de atividade.

«Enfim, pensamos que o encerramento de estações no estrangeiro ou a redução de meios para obtenção de informações terá como efeito necessariamente a redução do nível de atividade», declarou.

O deputado do PSD, eleito para o CFSIRP pela Assembleia da República, sublinhou que os serviços, durante o ano de 2012, «tiveram uma redução menos acentuada, menor, do que outros departamentos da administração».

Questionado sobre as polémicas em torno do ex-espião do Serviço de Informações Estratégicos e Defesa, Silva Carvalho, Paulo Mota Pinto disse ter a «perceção» e a «convicção» de que «acontecimentos que tiveram grande repercussão pública» no passado «não tiveram resquícios ou marcas neste momento na atividade».

«Foram circunscritos e estão em grande medida debelados os efeitos. Não detetamos aspetos visíveis na atividade dos serviços, quer em relação a pessoas, quer em relação à própria atividade», disse.