O ministro da Saúde garantiu esta sexta-feira que não há falta de camas para queimados em Portugal e que o atendimento a estes doentes é feito em rede, a qual «está a dar resposta».

Paulo Macedo falava aos jornalistas no final do debate sobre o «SNS: erros do passado e desafios do futuro», tendo negado a falta de camas em Lisboa para doentes queimados.

Isto porque nos últimos dias foram transferidos doentes que sofreram queimaduras em acidentes em Lisboa, o que, aliás, motivou uma pergunta de João Semedo, do Bloco de Esquerda, ao ministro, ainda durante o debate.

Aos jornalistas, Paulo Macedo começou por lembrar que este tipo de resposta é «altamente diferenciado» e que só existe «nos hospitais onde deve existir».

«A rede está a funcionar», disse, recusando a ideia de «polinização» de serviços de queimados.

Lá dentro, a hipótese de um pacto para a saúde, lançado pelo PSD, foi bem recebida pelo Governo, com o ministro da Saúde a considerar que este seria até mais importante do que o alcançado na Defesa.

«O pacto para a saúde precisa de ser materializado», afirmou Paulo Macedo, no debate sobre o «SNS: erros do passado e desafios do futuro», que decorre na Assembleia da República, durante o qual a oposição atribuiu ao governo os erros do presente e o Executivo recordou ao PS os erros do passado.

Ressalvando que «não há ninguém que diga que o SNS é sustentável sem reforma», o ministro elegeu um conjunto de questões fundamentais, as quais devem ser definidas para a concretização de um pacto no setor, ideia hoje proposta pelo deputado social-democrata Nuno Reis.

«Qual a percentagem da despesa pública que estamos disponíveis para a saúde», «qual a banda que queremos afetar para a saúde», com que «percentagem queremos dotar os medicamentos» ou a investigação, foram alguns dos pontos alancados por Paulo Macedo e que, na perspetiva do ministro, devem ficar definidos.

Neste debate, que começou com uma intervenção de Nuno Reis (PSD) a incluir Paulo Macedo numa lista de «visionários» como António Arnaut ou Albino Aroso, a oposição enumerou o que considera ser sinais negativos do SNS. O governo, por seu lado, apresentou o que demonstra uma evolução positiva.

Sobre os números apresentados pela oposição, Paulo Macedo disse, em resposta ao deputado António Filipe (PCP), tratar-se de uma «mistificação».

«Temos hoje mais farmácias abertas do que em 2010 e esse foi o ano em que mais greves dos enfermeiros se registaram», disse o ministro da Saúde.

A «magia dos números» foi levada ao debate pela deputada socialista Antónia Almeida Santos: «Podemos fazer dos números quase tudo o que quisermos», reporta a Lusa.

Para a deputada, «a magia dos números, por mais perfeita que seja não dá mais saúde aos portugueses».

No debate, João Semedo (Bloco de Esquerda) questionou o ministro sobre a forma como o novo medicamento contra a hepatite C vai ser administrada aos doentes portugueses.

«Passou-lhe uma fantasia pela cabeça ao querer negociar preços com a indústria farmacêutica, tendo como base o preço no Egipto», disse João Semedo, aconselhando o ministro a ter «os pés na terra».

João Semedo quis ainda saber como é que Paulo Macedo «vai assegurar que os doentes portugueses tenham os mesmos direitos que os outros».

No debate, este deputado criticou ainda «o crescimento perfeitamente anormal do setor privado da saúde em Portugal».

Na sua intervenção final, Paulo Macedo optou por enaltecer «o acesso» e «a qualidade» do SNS, apelando à participação de todos no crescimento do setor.

O ministro - que reiterou que o Governo está a analisar a descida das taxas para os níveis de 2013 - enumerou algumas das medidas desenvolvidas ao longo dos últimos três anos.

«Nestes três anos fomos fortes com os mais fortes», disse.

Miguel Santos (PSD) aproveitou a sua intervenção final para criticar o PS, acusando-o de “não sair do casulo”, nem “da sua zona de conforto”.

«Isto não vai lá com floreados. Este PS é o anterior PS, o PS da troika, da bancarrota. Não tem uma proposta, uma alternativa. É preciso política a sério», afirmou.