O ministro Paulo Macedo afirmou hoje, em Coimbra, que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) «responde às necessidades dos portugueses», apesar das «dificuldades» e de não estar «alheado da realidade do país».

Prova dessa capacidade «são as cerca de 40 milhões de consultas que [o SNS] faz todos os anos, são os milhões de urgências que faz todos os anos, as mais de 600 mil cirurgias e toda a resposta que dá, aliás, de uma forma renovada», sustentou o ministro da Saúde.

«Que o SNS responde é uma realidade, que tem dificuldades e que não está alheado da realidade do país também é uma verdade», assegurou o governante, que falava aos jornalistas, esta tarde, em Coimbra, à margem das cerimónias de Reconhecimento Profissional e de Vinculação à Profissão, organizadas pela Secção Regional do Centro (SRC) da Ordem dos Enfermeiros.

«Cabe-nos a nós, portanto, otimizar aquilo que temos», colocar «os recursos ao serviço efetivo das pessoas, ter a certeza de que as rendas excessivas na saúde terminaram» e «ter uma dedicação que tem vindo a ser feita pelos diferentes profissionais da saúde cada vez maior, numa situação que se lembra que é de emergência nacional», defendeu Paulo Macedo.

«A renovada esperança no SNS é de facto algo consensual, porque não só indispensável para aquilo que continuamos a necessitar ¿ que é de ganhos na saúde ¿ como também de, mesmo em situação de crise, termos melhores indicadores de saúde, como felizmente temos vindo a obter», referiu.

Sobre o aumento do horário de trabalho para 40 horas semanais no setor público, o ministro, questionado pelos jornalistas, disse que «não está prevista nenhuma exceção» para os enfermeiros.

Paulo Macedo nunca ouviu os enfermeiros dizerem que, «por trabalharem 40 horas, estão incapazes». «Nunca. Porque os enfermeiros, em média, hoje e há dezenas de anos, trabalham sempre muito mais que 40 horas», salientou.

«Não ouvi nunca um responsável de enfermeiros [dizer] que, por trabalharem 41, 42 ou 48 horas, não está em condições», afirmou o ministro da Saúde, considerando que «isso seria gravíssimo», pois significaria que estava a ser ¿posta em causa¿ a qualidade do trabalho dos enfermeiros ao longo dos anos.

Na sessão de abertura das cerimónias da SRC da OE, Paulo Macedo sublinhou que «os profissionais de saúde têm das maiores procuras profissionais em Portugal» e, embora se possa considerar essa «procura insuficiente», ela é das mais «significativas» e «distintiva no panorama nacional».

O fenómeno, na perspetiva do ministro, deve-se essencialmente à «mobilidade» e a «uma possibilidade» de emprego que os não licenciados e outros profissionais não têm.

O Ministério da Saúde tem-se revelado «sensível» aos «argumentos apresentados pela OE», mas «isso não é suficiente», sustentou, na sua intervenção, o bastonário dos enfermeiros, Germano Couto.

«As políticas recentes do Governo têm contribuído significativamente para um clima de instabilidade e tensão nos serviços de saúde, nomeadamente através do aumento de impostos, redução salarial, maior carga horária, menos recursos humanos e materiais, congelamento de progressões profissionais e um discurso de crescente separação entre o Estado empregador e os seus colaboradores», sublinhou o bastonário.

«Estas políticas afetam os profissionais e a sua prestação, promovem desmotivação profissional e o absentismo laboral», alertou Germano Couto.