O ministro da Saúde anunciou, este domingo em conferência de imprensa, que foi «decidido suspender as atividades das principais torres de refrigeração» da empresas do concelho afetado.

«Foi decidido encerrar as torres de refrigeração das principais fábricas da zona afetada com vista a proceder à desinfeção e desincustração das mesmas», afirmou o ministro. «Esse encerramento nas torres de refrigeração está a ser desencadeado agora».

Paulo Macedo referiu ainda que, ao início da noite, quatro equipas da inspeção do Ordenamento «estão junto de empresas, também noutras áreas».

Por outro lado, acrescentou que as autoridades estão a fazer avaliações «junto de algumas casas dos moradores», dado registar-se «uma concentração [de casos] em algumas ruas» do concelho de Vila Franca de Xira.

Considerando que «o surto de legionella está a ter um comportamento de acordo com o expectável», Paulo Macedo aconselhou a população a tomar as  recomendações emitidas para evitar o contágio.

Nas suas declarações no final da reunião, o ministro explicou que o Instituto Ricardo Jorge tem realizado análises a águas e a torres de refrigeração, mas que os resultados não são conclusivos, sendo necessário aguardar «entre cinco a dez dias» para obter dados mais fiáveis.

«Não podemos obviamente esperar estes cinco a dez dias para tomar medidas, enquanto temos pessoas que podem estar a ser contagiadas», afirmou.

O governante mencionou que ainda esta semana a EPAL, que distribui a água para os concelhos da Grande Lisboa, realizou análises que não indicaram qualquer problema na qualidade.

A este propósito, Paulo Macedo sublinhou a necessidade de «melhorar a legislação» para tornar obrigatória a análise específica à bactéria ‘legionella’, embora tenha referido que a generalidade das entidades, como a EPAL ou o SMAS, faz habitualmente este rastreio.

Está também a ser realizada a «hipercloração da água», indicou, acrescentando que «já hoje foram medidos novamente os níveis de cloro em toda a rede daquela zona e já foram aumentados».

Questionado sobre se terá havido alguma intervenção humana na causa deste surto, Paulo Macedo disse que «é uma probabilidade muito remota, mas os especialistas não a descartaram».

O ministro afirmou que as autoridades estão empenhadas em determinar qual é o foco da infeção, mas referiu que há casos de surtos no mundo cuja causa nunca foi identificada.

Também o  diretor-geral de Saúde, Francisco George, reiterou que as torres serão encerradas por precaução.

«Há esta demonstração de, muitas vezes, torres de refrigeração de unidades fabris ou de grandes espaços, nomeadamente comerciais, poderem emitir pequenas gotas que são aquilo que nós chamamos de gotículas, que desde que estejam contaminadas, podem naturalmente ser inaladas e provocar uma infeção na árvore respiratória, que está na origem da pneumonia», explicou.

A legionella já causou 160 infeções e quatro mortes confirmadas, principalmente na região de Vila Franca de Xira.