O ministro da Saúde afirmou que há cerca de dois milhões de portugueses que não recorrem ao médico de família, um número superior aos utentes ainda sem clínico atribuído.

“Temos muito mais portugueses com médico de família do que aqueles que o utilizam”, disse Paulo Macedo aos jornalistas, num comentário ao Relatório Anual sobre o Acesso a Cuidados de Saúde de 2014, hoje divulgado pelo jornal Público, que apontava para 1,4 milhões de utentes sem médico de família no final do ano passado.

O ministro afirmou que o número de portugueses com médico de família tem vindo a aumentar, mas optou por frisar que muitos utentes com clínico atribuído não recorrem às consultas.

“Temos ao longo dos anos sistematicamente sete milhões de pessoas que recorrem ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e nove milhões com médico de família. Temos um conjunto de pessoas que não tem médico de família e mais de dois milhões de pessoas que não usam médico de família”, indicou.


Para Paulo Macedo, a prioridade é, numa primeira fase, atribuir médico de família a quem mais precisa e às pessoas que o pretendem utilizar, como o caso das grávidas, de acordo com a Lusa.

“Em relação a quem não tem, a nossa preocupação é ver quais são os que necessitam. O Objetivo é cobrir todas as pessoas, mas, numa primeira fase é cobrir aquelas pessoas que querem ter médico de família”, disse.

Ainda sobre os cuidados primários, o governante admitiu que no futuro os centros de saúde têm de ter “maior abrangência”, nomeadamente “consultoria médica” de algumas especialidades, como a pediatria.

O Relatório Anual sobre o Acesso a Cuidados de Saúde de 2014 mostrou ainda que os hospitais do SNS atenderam mais de seis milhões de urgências. Em 40% das urgências os doentes receberam na triagem pulseiras verdes, azuis ou brancas, que demonstram uma menor gravidade ou urgência no atendimento.